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A música sinfónica portuguesa na nova temporada

Autor: António Silva, Professor

24 set 2017

Última atualização: 10 out 2017


A temporada musical 2017/2018 está a começar e como espetador assíduo das salas de concerto, resolvi estudar a programação da música sinfónica portuguesa das quatro principais orquestras portuguesas – TNSC/Orquestra Sinfónica Portuguesa (OSP), Orquestra Gulbenkian (OG), Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música (OCdM) e Orquestra Metropolitana de Lisboa (OML).

A primeira reação de quem dá uma primeira passagem nas temporadas aqui sugeridas é a de não conseguir encontrar compositores portugueses; todas apresentam vários nomes do cânone musical mas é difícil encontrar nomes portugueses “à primeira vista”.

Ainda assim, a brochura disponibilizada pela OSP é a que mais relevo dá à música portuguesa: “Restart” de Nuno da Rocha (23 Set), “Yggdrasil” de Manuel Durão (6 Out) e obra a estrear de Luís Tinoco (13 Mai). As duas primeiras são obras que voltam a ser tocadas, após as suas estreias (2015 e 2012, respetivamente) e a última estará ainda por confirmar, já que não se encontra oficialmente no sítio do TNSC.

No caderno que a Gulbenkian Música disponibiliza, podemos encontrar “Salve Regina” de Eurico Carrapatoso (15 Out), “Off-balance” de Luís Antunes Pena (23 Fev) e “Concerto para piano” de Vasco Mendonça (15 Jun). A obra de Eurico Carrapatoso resulta de uma encomenda do Santuário de Fátima, com a colaboração da OG; as obras de Pena e Mendonça encontram-se inseridas numa “parceria (SP-LX) entre a Fundação Calouste Gulbenkian e a Orquestra Sinfónica do Estado de São Paulo, que inclui encomendas de novas obras a compositores portugueses e brasileiros, com estreias alternadas entre as duas cidades” [brochura].

Quanto à OML, engloba na sua temporada “Concerto de Sombras”, para violino e orquestra, de Francisco Chaves (21 Out) em estreia absoluta e “Six Portraits of Pain” de António Pinho Vargas (1/2 Dez). Da OCdM, apenas a destacar uma obra em estreia absoluta de Luís Neto da Costa, jovem compositor residente.

Depois de enumeradas, podemos verificar que numa temporada e em quatro orquestras, são interpretadas nove obras sinfónicas de compositores portugueses, seis delas resultantes de encomendas aos compositores. É de louvar a aposta em compositores vivos, sendo que cinco dos nove compositores são jovens, o que apresenta um verdadeiro progresso e aposta em música feita relativamente cedo nas carreiras destes compositores.

Contudo, é ainda pouco e está longe de uma realidade que esperávamos poder vir a verificar. Das dezenas de concertos programados por estas instituições/orquestras, menos de uma dezena incluem obras nacionais.

Não sei ao certo o que leva os diretores artísticos/musicais a pôr de lado a música de compositores portugueses mas certamente há razões para tal. No caso de não haver uma justificação plausível, espero poder crer que há um trabalho de fundo a ser feito para que mais nomes portugueses apareçam nos cartazes da temporada 2018/2019.

Orquestra Sinfónica
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