PJM 2018

título da imagem

Ad Libitum

Estágio Gulbenkian no Festival Jovens Músicos

Autor: Carlos Hortmann, Musicólogo e Maestro

09 out 2014

Última atualização: 17 set 2018


Gosto sempre de lembrar que as minhas observações musicais não são verdades absolutas, apenas o referencial de um observador.

Ao sair do concerto do Estágio Gulbenkian para Orquestra, senti-me regozijado por diversas razões, sendo a principal delas a boa energia que emanavam aqueles jovens ao tocar, eles que nos transmitiram alegria e muita vontade. Saliento isso porque, muitas vezes, vemos orquestra conceituadas a tocar e os seus músicos não nos transmitem essa boa vibração e espírito mas sim, que o estão fazendo por mera obrigação.

O repertório foi muito bem escolhido. Particularmente tenho uma relação muito íntima com este período da música ocidental. Gostaria de reforçar que quando levamos jovens músicos para um estágio, eles vão à procura de desafios musicais e técnicos e considero que esta seleção do repertório possa ter oferecido essa possibilidade aos músicos.

Falando das observações gerais ao concerto, quero dizer que fiquei muito satisfeito com o trabalho do maestro Jan Wierzba, muito seguro tecnicamente e revelando uma boa comunicação com a orquestra. Sobretudo, o que me deixou mais feliz foi ver como ele demonstrava uma concepção muito clara de cada obra e sabia exatamente o que queria com cada fraseado musical, conseguindo assim transmitir isso aos jovens intérpretes.

Acerca da suas opções estéticas, apresento algumas reservas acerca do poema sinfónico Romeu e Julieta de Tchaikovsky, no qual acredito que poderia ter sido dirigido num pulso um pouco mais rápido. Senti que nalguns momentos o discurso musical ficou um pouco pesado, perdendo  por isso a qualidade de cantabile, tão caraterística do compositor russo.  Sobre  a Sinfonia Nº 9 de Dvorák, acredito que no tema principal do quarto andamento as intervenções dos metais poderiam ser mais curtas, porque começou a dar uma sensação de inércia, afastando-se daquele ar triunfal que pretende anunciar o “Novo Mundo”. 

Agora falando especificamente da orquestra, como referi no início, fiquei muito contente com o seu desempenho. Escutar jovens interpretar música a tão alto nível não acontece todos os dias. Principalmente, a surpresa aumenta depois que ser informado que vários músicos não puderam comparecer e tiveram de ser substituídos em cima da hora. Por causa destes contratempos e pouco tempo de preparação, surgiram alguns problemas de afinação no naipe das madeiras, em trechos importantes da obra Romeu e Julieta.

O naipe das cordas portara-se muito bem, fazendo um apresentação impecável. Para finalizar, queria dar os meus parabéns à jovem oboísta Telma Mota, que tocou um dos mais belos solos de corne-inglês que ouvi nos últimos tempos, no segundo andamento da sinfonia de Dvorák.

Felicitações a todos.

 

Carlos Hortmann
  • Carlos Hortmann
Anterior | Seguinte Voltar
Publicidade
título da imagem
título da imagem
título da imagem
título da imagem
título da imagem
Edições Convite à Música
título da imagem
título da imagem
Con Música
Frederico Fernandes
título da imagem
título da imagem
título da imagem
título da imagem
Companhia dos Vinhos do Douro
título da imagem
ava
Mário Jorge Silva