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Mozart in the jungle, a série que todo o músico de orquestra deveria ver

Autor: Maria Fernandes, Licenciada em Ciências Musicais

19 ago 2017

Última atualização: 10 out 2017


Estimado leitor, porventura, já ouviu alguma vez o nome Mozart in the Jungle? Caso não tenha ouvido, não se preocupe porque no final da leitura deste artigo ficará a saber tudo…  

Provavelmente, neste momento estará a questionar-se “mas porquê que deveria eu ler este artigo e ver esta série?” 

Pois bem, as razões são várias! Se o leitor é membro de uma orquestra, muito provavelmente, irá se rever neste retrato do dia a da dia de uma orquestra, com ensaios, concertos… nas relações entre os membros da orquestra, com o maestro, com o público, com os mecenas, com a diretora da orquestra e com todos os trabalhadores que estão atrás do palco e que fazem com que o espetáculo aconteça.  

O argumento desta série foi inspirado no livro Mozart in the Jungle: Sex, Drugs and Classical Music (2005), da oboísta Blair Tindall, que conta as memórias da sua carreira profissional em Nova Iorque, onde tocava com várias orquestras de renome, incluindo a Filarmónica de Nova Iorque, sobre a qual trata esta série.  

Por conseguinte, o subtítulo deste livro é bastante explícito para compreendermos as relações que se estabelecem neste meio social.  

Em relação ao sexo, são vários os relacionamentos amorosos entre os membros da orquestra: a preferência pelo maestro (a violoncelista Cynthia e o maestro Pembridge) ou pelo solista (a oboísta Hailey e o violoncelista Andrew Walsh). Ou, o reverso da moeda, o abandonar de uma vida pessoal em prol da vida profissional (caso da oboísta principal Betty Cragdale).  

O caso das drogas é protagonizado por Dee Dee, o percussionista, que vende drogas aos colegas para ‘relaxarem’ antes dos concertos. Além de drogas também vende medicação para as dores (atente-se ao caso da violoncelista Cynthia com uma tendinite no pulso). Também em festas drogas são consumidas, como na festa que é dada na casa da Betty (oboísta principal), onde Hailey (oboísta substituta), já em estado alterado devido às drogas e ao álcool acaba por confessar que ela e o Rodrigo (maestro) se beijaram. Betty irá aproveitar esta confissão para afirmar que Hailey só chegou a onde chegou porque dormiu com o maestro. Será que a ideia de ascensão das mulheres dentro das orquestras ainda hoje está associada à ideia de ‘venda do corpo’ ao maestro ou ao diretor da orquestra? Ou será que cada vez mais essa ideia preconceituosa se está a esbater e, finalmente, o seu mérito está a ser reconhecido? 

Por último, música clássica é o que une membros de orquestra, maestro, mecenas e público. Nesta série são desvendados os agentes da canonização. Edward Biben, o mecenas mais generoso, controla tudo o que se passa dentro da Filarmónica, inclusive a programação da temporada. Quando Pembridge (antigo maestro) decide colocar o seu lugar à disposição, Biben fica desagrado com esta decisão, uma vez que, Pembridge tocava a música que ELE queria ouvir. O mesmo não se irá suceder com o novo maestro, Rodrigo de Souza.  

Outros temas explorados por esta série: a precariedade dos músicos e o difícil acesso a um bom programa de saúde. Note-se que os músicos da Filarmónica não tocam apenas nesta orquestra mas em muitas outras e não só música clássica. A criação de ‘cargos ridículos’ só para ficar bem com o ‘amigo’, como o de ‘diretor musical executivo emérito’ para o maestro Pembridge, que o próprio acha ridículo.  

Ideia de génio associada à figura do maestro e já não ao compositor. Encenação do ‘EU’  e uso de máscaras por todos os que fazem parte deste meio elitista quando entram dentro do ‘santuário da alta cultura’ (sala de concerto), como se ali tivessem que desempenhar um papel diferente daquele que desempenham no seu habitat natural.  

Campanhas de doação de capital para a Filarmónica que é acompanhada de vários rituais e que é denominada por Pembridge como a ‘pena capital anual’ que os mecenas têm que pagar.  

O anseio pela fama, pela glória que obscurece o principal objetivo destas instituições, que é a música!  

Poderão estas relações ser tomadas como espelho das restantes orquestras? 

A série televisiva Mozart in the jungle, produzida pela Picrow para a Amazon Studios, é um exemplo rico das sociabilidades musicais no meio nova-iorquino contemporâneo, contando já com três temporadas. A banda sonora é constituída por fragmentos de obras de vários compositores canónicos eruditos entre eles Mozart, Beethoven, Schubert, Mahler, entre outros. 

Podem ainda ver músicos de renome internacional como: o maestro Dudamel, o violinista Joshua Abel, o violoncelista Andrew Walsh, os pianistas Emanuel Ax e Lang Lang, compositor Anton Coppola, a estrela da Broadway Brian d’Arcy James, os maestros Alan Gilbert e Bernard Urzan e a própria autora do livro Blair Tindall, com pequenas participações ao longo das três temporadas.   

Espero ter-vos apresentado motivos suficientes para que se sintam em pulgas para ver esta série!  

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