PJM 2018

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Ad Libitum

O som e as especificações de construção da flauta transversal

Autor: João Vidinha Duarte, flautista e editor da Scherzo Editions

17 set 2018

Última atualização: 27 nov 2018


Relação entre a qualidade do instrumento e progressão do aluno

 

Resumo

Os últimos anos como professor de flauta transversal despertaram a minha curiosidade para perceber como seria o percurso dos alunos das classes de flauta relativamente ao tipo de instrumentos que adquirem, em que altura do seu percurso educacional decidem mudar de instrumento, a respectiva reacção à mudança das características de construção – e consequentemente sonoras – do instrumento, assim como a variação de motivação na sua aprendizagem individual após cada mudança.

Com este Projecto de Investigação – Relatório de Estágio, pretendo identificar a maioria dessas mudanças: quais as especificações predominantes dos instrumentos utilizados nos diferentes graus de ensino (Iniciação, Básico, Secundário e Superior) e que factores poderão influenciar alunos, pais e/ou professores a adquirir/aconselhar tais instrumentos.

 

Abstract

The last few years as a flute teacher has stimulated my curiosity to perceive the path of the students of flute classes regarding the type of instruments they acquire, at what time of their educational course they decide to change the instrument, the relative reaction to the change in the characteristics of construction – and consequently of sound – of the instrument, as well as the motivation alteration in their individual learning, after each change.

With this Research Project – Internship Report, I intend to identify most of those changes: which are the prevailing specifications of the instruments used in the different levels of education (Beginner, Primary, Secondary and Higher) and which factors may influence pupils, parents and/or teachers to acquire/advise such instruments.

 

 

"O som e as especificações de construção da flauta transversal"

"O som e as especificações de construção da flauta transversal" é um sub capítulo do Relatório de Estágio de Mestrado de João Vidinha Duarte, intitulado Relação entre a qualidade do instrumento e progressão do aluno.

 

 

Som é tudo o que pode ser ouvido. (Rockstro, 1928)

 

O som é transmitido, ou propagado, por meio de ondas ou pulsações de condensação alternada e rarefacção, que tanto pode atravessar o ar, por si só, como por qualquer outro meio. Essa transmissão/propagação pode ser efectuada através do ar para um corpo (sólido) e daí de novo para o ar, devendo este processo ser repetido até que a energia do impulso inicial se esgote. (Rockstro, 1928)

A velocidade do som varia consideravelmente, de acordo com a natureza e condição do meio de transmissão. No caso dos instrumentos de sopro, resulta da vibração do ar dentro do seu tubo: no fundo, este ar funciona como um corpo ressonante. As vibrações do ar dentro do tubo são, em grande medida, independentes daquelas que são transmitidas pelo próprio tubo do instrumento. Como existe bastante reciprocidade entre as vibrações da coluna de ar e as contidas no tubo do instrumento, supõe-se obviamente que a natureza e o material do tubo possam exercer alguma influência no carácter do som, bem como sobre a sua projecção. Será de admitir que, com maior ou menor diferenciação, esta influência tem de ser tomada em conta. (Rockstro, 1928)

Para um maior reconhecimento destas diferenças, não há melhor guia que a experiência. Esta experiência vai provar a todos os que possuem um ouvido exigente e musicalmente trabalhado, que corpos de diferentes materiais1 e de diferentes espessuras2 dão origem a diferenças substanciais na afinação, carácter (composição) e projecção do som do instrumento. (Rockstro, 1928)

Da mesma maneira, é consensual que os corpos dos instrumentos de sopro, independentemente do material de que sejam construídos, se tornam permanentemente afectados pela forma de produção de som a que estão sujeitos. (Rockstro, 1928)
 

Uma flauta que cai nas mãos de um bom flautista irá melhorar em todas as qualidades desejadas, à medida que amadurece, e assim como esta e o seu mestre crescem acostumados uma ao outro. O som tornar-se-á, dentro de certos limites, aquele que o flautista desejar; […] Por outro lado, um mau flautista poderá estragar uma boa flauta, ou piorar uma que já seja má de início. (Rockstro, 1928, p. 96)


Outros factores na construção da flauta que poderão influenciar o som da mesma:

  • Diâmetro e comprimento do tubo;
  • Diâmetro, distância e posição dos orifícios;
  • Tamanho das chaminés;
  • Material da coroa, rolha e stopper;
  • Material utilizado nas sapatilhas;
  • Método de fixação e material do mecanismo;
  • Outros factores de natureza humana.

 

1 Sendo (ou tendo sido) os mais utilizados: buxo, ébano, grenadille, outras madeiras exóticas, marfim, vidro e porcelana, ebonite e vários metais (latão, níquel, prata, ouro e platina).

2 “A espessura indicada para uma flauta depende muito da natureza do material utilizado e de muitas outras considerações, que nenhuma regra precisa pode ser estabelecida como norma.” (Rockstro, Musica Rara, 1928, p. 147)

 

Bibliografia

Rockstro, R. S. (1928). A Treatise on The Flute (2ª Edição). London: Musica Rara

 

Sobre o autor
João Vidinha Duarte nasceu em Lisboa, onde começou a tocar flauta na Fundação Musical dos Amigos das Crianças com Anthony Pringsheim. Continuou os seus estudos na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) com o mesmo professor e, após aulas privadas com Katharine Rawdon, foi estudar para o Conservatorium van Amsterdam (CvA) com Marieke Schneemann, onde acabou o seu Mestrado em Música em 2010. Em 2016 terminou o Mestrado em Ensino da Música na ESML.
Participou em Masterclasses por Emily Beynon, Kersten McCall, Jed Wentz, Will Offermans, András Adórjan, Vincent Cortvrint, Jaime Martín, Carin Levine, Irmela Bossler, Félix Renggli e Carlos Bruneel. Durante os seus estudos, tornou-se um experiente executante em orquestra: Orquestra Sinfónica Portuguesa (onde reforça, como Solista A e B), O.C.C.O., Orquestra Sinfónical Juvenil, RBO Sinfonia, Amsterdam Symphony Orchestra, CvA-Symphony Orchestra, VU-Orchestra, LSKO Collegium Musicum e música de câmara com o Zephyros Woodwind Quintet.

 

About author
João was born in Lisbon, where he began to play the flute at Fundação Musical dos Amigos das Crianças with Anthony Pringsheim. He continued his studies at Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) with the same teacher and after having private lessons with Katharine Rawdon, the went to study at Conservatorium van Amsterdam (CvA) with Marieke Schneemann, where he finished his Master Degree in 2010 (Music). In 2016, João finished the Masters in Musical Editions at ESML.
He participated in Masterclasses by Emily Beynon, Kersten McCall, Jed Wentz, Wil Offermans, András Adórjan, Vincent Cortvrint, Jaime Martín, Carin Levine, Irmela Bossler, Félix Renggli and Carlos Bruneel. During his studies he became a very experienced player in orchestra: Orquestra Sinfónica Portuguesa (replacement as soloist A and B), O.C.C.O., Orquestra Sinfónica Juvenil, RBO Sinfonia, Amsterdam Symphony Orchestra, CvA-Symphony Orchestra, VU-Orchestra, LSKO Collegium Musicum and chamber music, with Zephyros Woodwind Quintet.

 

Próximos capítulos a serem publicados:

  • Análise Crítica da Actividade Docente: Definição e objectivos do aquecimento
  • Conclusões:  -Como escolher uma flauta para um principiante? e -Como escolher uma flauta para prosseguimento de estudos? 

 

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