PJM 2018

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CANTABILE

CANTORES


Sara Braga Simões

Venceu vários prémios nacionais e internacionais. A crítica internacional de ópera descreve-a como uma soprano de extensão impressionante (Opera Now) e com um desempenho excepcional (Opera Magazine). Em Ópera, interpretou já vários papéis principais dos quais se destacam Pamina (A Flauta Mágica), The Governess (The Turn of the Screw, Britten), Donna Elvira (Don Giovanni), Gretel (Hänsel und Gretel), Susanna (Le Nozze di Fígaro), Despina (Così fan Tutte), entre dezenas de outros.
Fez a estreia absoluta de muitas obras de compositores como João Pedro Oliveira, Nuno Côrte-Real, Luís Tinoco, Carlos Azevedo e Aubert Lemeland. Em 2010 teve o seu debut em Londres (com a London Sinfonietta), na estreia absoluta da ópera O Sonho de Pedro Amaral. Gravou, com o pianista Luís Pipa, a integral da obra para Canto e Piano de Eurico Thomaz de Lima.
Ao longo do seu percurso académico, Sara Braga Simões teve como mestres Manuela Bigail, Rui Taveira, Peter Harrison e Elisabete Matos. Actualmente, trabalha com Susan McCulloch, em Londres.

 

"a música dá à palavra uma força enorme"

Apaixonou-se "pela relação estreita entre o texto e a música" que só o Canto oferece. "Sinto que a música dá à palavra uma força enorme, que me deixa completamente arrebatada, quer como intérprete, quer como ouvinte. Fascina-me, também, a possibilidade de trazer à vida diferentes personagens, textos de grandes escritores, revividos e experimentados através da música! Mas o canto sempre fez parte de mim, de alguma forma. Desde que me conheço sempre gostei de cantar...", sublinha.

Começou por estudar violoncelo, aos 10 anos, no Conservatório de Braga. Aos 16, iniciou as aulas de Canto com Manuela Bigail. Aos poucos, o Canto acabou por tomar conta da vida de Sara Braga Simões, sempre sob o critério da excelência. Procurou rodear-se de bons professores mas também de especialistas que a pudessem aconselhar em várias áreas. Destaca os professores Rui Taveira, Jaime Mota e José Luís Borges Coelho, na ESMAE – pessoas e músicos inspiradores – e Peter Harrison e Jeff Cohen no Estúdio de Ópera da Casa da Música. Fez muitas masterclasses em Portugal e no estrangeiro, um grande investimento, quer financeiro, quer pessoal.

 

A sorte de encontrar as pessoas certas

Diz ter tido a sorte de encontrar as pessoas certas: "Relembro com enorme carinho, o apoio e incentivo que recebi sempre do grande Rudolf Knoll, que me telefonava regularmente para me incentivar e motivar! Mais tarde, tive a sorte de conhecer pessoalmente Elisabete Matos e, de imediato, passei a ter a sua orientação vocal regular, facto que foi absolutamente determinante para a minha formação".

Entre as pessoas certas estão também  o tenor Carlos Guilherme, com quem se estreou no Teatro São Carlos, Jorge Vaz de Carvalho, que desde muito cedo acreditou e apostou no seu talento, João Paulo Santos, uma "pessoa iluminada", com quem diz aprender muito, e tantos outros: Lawrence Renes, Elvira Ferreira, Vesselina Kasarova, Giovanni Furlanetto, Fabio Sartori, Laurence Cummings, Luís Miguel Cintra… "Tenho a sorte de ter trabalhado com grandes nomes, com os quais aprendi imenso", refere.

E ter vivido momentos inesquecíveis: "Foi extraordinário poder partilhar o palco do São Carlos com Vesselina Kasarova… aliás deste concerto guardo na memória um episódio com particular carinho… O alinhamento previa que a Kasarova cantasse antes de mim. Eu sou uma fã incondicional da Kasarova… Por isso, podem imaginar como foi difícil entrar em palco após a interpretação desta grande senhora… Lembro-me de estar nos bastidores, preparada para entrar, absolutamente comovida com a sua interpretação de “Scherza infida in grembo al drudo” (Ariodante) de Händel!! Corriam-me as lágrimas pela face porque foi, de facto, um momento maravilhoso!!  Mas lá encontrei as forças para entrar e dar o meu melhor… Cantei a ária e, no final, tive uma Kasarova que se precipitou para mim nos corredores do São Carlos, me abraçou e me disse o quanto tinha gostado da minha interpretação..."

 

Convidada regular no São Carlos 

Sara Braga Simões foi ouvida por Paolo Pinamonti, na altura director do Teatro Nacional de São Carlos, que apostou no seu trabalho… E, desde então, tem sido convidada regular no São Carlos para interpretar papéis principais de ópera, concertos e recitais. Estreou-se em Londres com a Premiere da ópera “O Sonho” de Pedro Amaral, e dias depois no Grande Auditório Gulbenkian, com a orquestra London Sinfonietta.

Destaca a ópera “The Turn of the screw” de Britten,  que a marcou como intérprete; o concerto de abertura de temporada no São Carlos, em 2007, onde cantou ao lado de Vesselina Kasarova, a estreia na sala principal da Casa da Música com “Des Knaben Wunderhorn” de Mahler, a obra “Requiem” de Brahms com a Sinfónica Portuguesa e a ópera Banksters de Nuno Côrte- Real, que protagonizou no Teatro Nacional de São Carlos.  Mas é com o  Prelúdio de “Tristão e Isolda” de Wagner que as lágrimas lhe vêm aos olhos: "comove-me sempre!!!"

 

"A vida de cantora é muitas vezes uma vida solitária"

"O palco é algo que me completa, que me alimenta e de que preciso para respirar. O público merece todo o meu empenho, o meu respeito e dedicação. Por isso, subir ao palco é uma realização por si só, um prazer inultrapassável. Esta profissão permite-me, também, trabalhar e conhecer muitos músicos maravilhosos de todo o mundo que me inspiram e ajudam a crescer como intérprete e como pessoa. Acho que é um privilégio poder viver de um trabalho que se adora…", diz.

Não obstante as imensas compensações que a profissão lhe traz, Sara lamenta os sacrifícios que a carreira implica, como estar longe de casa, da família: "A vida de cantora é muitas vezes uma vida solitária. Mas tento, o melhor que posso, que isto não afete muito a minha família e, em particular, a minha filha. Tenho um grande apoio familiar, especialmente da minha mãe, que muitas vezes viaja comigo, para que a minha filha me possa acompanhar" . 

Assim, a disciplina é fundamental. "É necessário muito empenho e dedicação ao estudo dos papéis ou obras que tenho que interpretar. E porque estou numa fase inicial de carreira, ainda tenho muitos papéis para estudar, preparar… há que dividir muito bem o tempo entre ensaios e a preparação de obras ou audições que se seguem (ou que até se sobrepõe). Não é nada fácil!", explica.

 

"Um cantor tem que estar preparado para investir todo o dinheiro que vai ganhando em viagens, em masterclasses…"

Para Sara Braga Simões, um cantor, no início de carreira, "tem que trabalhar muito, tem que estar preparado para investir todo o dinheiro que vai ganhando em viagens, em masterclasses… Há que fazer muitas audições, lutar bastante porque a concorrência é feroz! Mas com dedicação e força de vontade, tudo se consegue!". Por isso, aconselha os jovens cantores a trabalharem muito, a dedicarem-se de corpo e alma e a seguir o sonho, "esteja ele onde estiver".

E pode estar bem perto de nós, já que "nos últimos vinte anos anos mudou muita coisa: há mais orquestras, mais ensembles, mais teatros e salas de concerto… O grau de exigência subiu imenso – e ainda bem! Mas, actualmente, com a crise económica que vivemos, todas essas instituições estão com grandes dificuldades para sobreviver". Se a Cultura é identidade do povo, como considera, é preciso haver um "maior investimento privado na cultura portuguesa" e "educar mais as pessoas para a música, formar públicos que, depois, mais tarde, possam exigir (e assistir a) concertos de qualidade". 

 

"Gostaria de pegar em toda as partituras esquecidas na Biblioteca Nacional e voltar a dar-lhes vida"

É nos muitos projectos que encontra "a força para continuar no difícil panorama cultural em que temos vivido". Destaca um novo trio de Canto, Trompa e Piano, com Bernardo Silva e  Rui Martins, projecto que lhe "inspira imenso", já que adora o momento de recital. "Proporciona-nos uma experiência quase inebriante com o público, bem mais intimista do que a ópera - género que tem tido particular relevo na minha carreira", acrescenta. Mas há muitos outros projectos que passam, obviamente, pela ópera e pela estreia de obras de compositores portugueses, algo que lhe dá particular prazer fazer.

Se tivesse oportunidade, Sara gostaria de "pegar em toda as partituras esquecidas na Biblioteca Nacional e noutras bibliotecas do nosso país e voltar a dar-lhes vida": "há obras belíssimas absolutamente enterradas há séculos  Seria um prazer imenso redescobrir os nossos compositores e os compositores que viveram em Portugal e que nos deixaram obras valiosas. Há já muitos investigadores que estão a catalogar essas obras. Agora há que trazê-las de novo à luz e dá-las a conhecer ao público em geral".

 

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