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ORQUESTRAS

Autor: Da Capo

25 mai 2018

Última atualização: 24 jul 2018


Nova temporada Gulbenkian Música: onde está a música portuguesa?

Hoje, 25 de maio de 2018, pelas 18:30, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), foi apresentada a nova Temporada 18/19 da Gulbenkian Música. Uma breve introdução foi feita pelo diretor Risto Nieminen que apontou, em português, alguns dos momentos chave que a nova Temporada reserva.

Contudo, foi através de um vídeo que a Temporada foi exposta às centenas de pessoas que se encontravam neste fim de tarde naquele auditório.

Na primeira parte do vídeo foi apresentado o novo Maestro Titular, o franco-suíço Lorenzo Viotti que contou como já admirava Lisboa antes de sequer imaginar ganhar este prestigioso lugar. Viotti falou do trabalho que irá desenvolver com a orquestra, mas também, com o Coro, que continua ao encargo do Maestro Michel Corboz.

Na segunda parte foram dados a conhecer os três ciclos que pontuarão os concertos na FCG: Música no Tempo, de Bach a Boulez; Ibéria, Música entre Portugal e Espanha; e Música no Feminino, que tem como objetivo dar palco às artistas que, por vezes, diz Risto Nieminen na nota de abertura da Brochura, são “negligenciadas na programação dos nossos dias”. Diria que mesmo com este ciclo, elas continuam a ser negligenciadas quando fazemos a estatística entre o número de solistas homens e solistas mulheres convidados, ou quantas maestrinas dirigem a Orquestra Gulbenkian ou mesmo o número de compositoras tocadas nos vários concertos programados.

Além dos ciclos, destacaram os grandes intérpretes que visitarão a FCG. Alguns, já fazem parte da casa como Jordi Savall ou Grigory Sokolov, outros estreiam-se no Grande Auditório como Kirill Gerstein ou Angela Hewitt. Também a lista de maestros convidados é extensa, com destaque para Gustavo Dudamel com concerto no dia 7 de setembro, em que irá dirigir a 4ª Sinfonia de Mahler, interpretada pela Mahler Chamber Orchestra e a Soprano Golda Schultz.

Destaque ainda para a música de cinema com três filmes: Amadeus, Star Wars e Tempos Modernos com interpretação da Orquestra Gulbenkian e Maestros convidados.

Não obstante, uma questão era iminente, mesmo antes da exibição do vídeo e que após a visualização do mesmo se mostrou óbvia: e a música e os grandes intérpretes portugueses?

Pois bem, apenas com a brochura na mão e após a análise de todos os concertos, constatei que não há nenhuma obra encomendada a um compositor português. Ou seja, a música contemporânea portuguesa foi completamente ignorada na programação 18/19 da Gulbenkian Música. Surgem apenas algumas obras de compositores portugueses inseridos, maioritariamente, no ciclo Ibéria (não fosse esta temática sobre música ibérica). Os grandes intérpretes? Vão praticamente pelo mesmo caminho. Destaco a escolha de Paulo Ferreira, para o papel de tenor no Requiem de Verdi (01 e 02/11/2018), com o restante elenco estrangeiro. O maestro José Eduardo Gomes tem sob a sua batuta dois concertos de domingo, sendo que no dia 11 de novembro dirigirá o “Romance” op. 50 de Beethoven com o violinista Francisco Lima Santos como solista. Este violinista voltará a tocar no Concerto de Ano Novo sob a direção de Nuno Coelho (04 e 05/01/2019). Ainda aparece o Maestro Pedro Teixeira no ciclo Ibéria (25/11/2018) e Pedro Neves que também irá dirigir um Concerto de Domingo (12/05/2018).

Destaque ainda para Joana Gama (piano), no Ciclo Música no Feminino, que atuará com Luís Fernandes (eletrónica e composição), no dia 28 de janeiro de 2019.

Os cantores portugueses são chamados ao palco do Auditório da FCG para darem voz a “Romeu e Julieta” de Charles Gounod (15 e 17/03/2019): a Soprano Cecília Rodrigues, o Tenor Marco Alves dos Santos, a Meio-Soprano Carolina Figueiredo, o Baixo André Baleiro, o Barítono Henrique Casanova, o Barítono André Henriques e o Tenor Manuel Gamito. Alguns destes cantores darão voz à “Paixão segundo São Mateus” de Bach (16 e 17/04/2019) e ao “Te Deum em São Roque” (31/12/2018). Ana Quintans e Carlos Mena estarão em destaque no ciclo Ibéria (25/11/2018).

O Coro Infantojuvenil da Universidade de Lisboa é convidado a juntar-se ao Coro Gulbenkian para interpretar a Sinfonia nº3 de Mahler, sob a direção de Jonathan Nott (05/03/2019).

Regressa, por fim, o Concerto Participativo (15 e 16/09/2018) ao Grande Auditório com o “Requiem” de Mozart, dirigido pelo Maestro Nuno Coelho e com Bárbara Barradas (Soprano), Carolina Figueiredo (Meio-Soprano), Marco Alves dos Santos (Tenor) e Hugo Oliveira (Baixo), como solistas.

O restante repertório é aquele que podemos encontrar em todos os “santuários da alta cultura”, todas as obras que foram canonizadas ao longo dos anos e que o público teima em ouvir ano após ano, sem se cansar e, sem dar margem para que novas obras entrem nesse cânone. Portugal, mesmo com o crescente turismo, continua a ser um país periférico em que a sua cultura e os seus agentes não conseguem penetrar nas suas instituições.

 

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