PJM 2018

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FESTIVAIS

PRÉMIO JOVENS MÚSICOS

Autor: Sandra Bastos

23 set 2017

Última atualização: 09 nov 2018


Inês Badalo

Já tinha recebido uma Menção Honrosa com a obra Estenopo na edição no ano passado do Prémio de Composição SPA/Antena 2. Em 2017, finalmente, Inês Badalo vence com Entropia, que será apresentada no Festival Jovens Músicos, no próximo dia 7 de outubro, pela Orquestra Gulbenkian, sob direção do maestro Nuno Coelho. Apaixonada pela Composição e pela Guitarra, divide-se também por Portugal e Espanha, os dois países que lhe dão a dupla nacionalidade.  

 

Nos últimos anos, tem-se dedicado a compor para orquestra, “a explorar mais o campo da orquestração, um terreno complexo em que é fundamental um trabalho constante e continuado no tempo”. Compor era, assim, um treino, ou seja, nunca pensou que as suas obras pudessem ser tocadas por uma orquestra: “Procurava exercitar-me, para se algum dia surgisse a oportunidade de uma encomenda para uma orquestra ou um concurso como este, estar preparada”.

A expectativa de Inês ao participar no Prémio de Composição SPA/Antena 2 era ouvir a sua obra tocada por uma orquestra, algo que considera fundamental dentro de todo o processo de composição: “Era a maneira de ter acesso a uma orquestra, e neste caso, uma orquestra extraordinária como a Gulbenkian, uma honra e ao mesmo tempo, uma grande motivação”.

 

“a ilusão pela nova obra, mas também a responsabilidade, a necessidade pessoal de superação”

Entropia começou a ser criada janeiro deste ano e desde o primeiro momento envolveu um processo emotivo: “esses primeiros instantes em que concebo a obra, procuro ordenar as ideias e dar forma ao que será a sua estrutura, primeiro na minha mente, mais tarde sobre o papel, são sem duvida emocionantes; estás a criar algo novo e sentes a ilusão pela nova obra, mas também a responsabilidade, a necessidade pessoal de superação”.

“Tenho que referir, evidentemente, o dia em que terminei Entropia, mas sobretudo, nunca esquecerei o momento em que recebi o telefonema comunicando-me que tinha ganho o prémio e, como não, o que está para vir, a estreia, os dias prévios, os ensaios, momentos que espero com muita ilusão e que serão muito emocionantes certamente”, sublinha.

 

Entropia

Inês Badalo inspira-se “em ideias extramusicais”, como a pintura, poesia ou numa magnitude física, como é o caso de Entropia, que representa o grau de desordem e caos existente na natureza. “Este conceito está diretamente relacionado com a ordem, já que o mesmo permite distinguir o similar do diferente, o que está agregado do segregado, a harmonia do contraste”, explica.

Assim, esta dicotomia ordem-desordem está presente ao longo da obra, onde “os gestos musicais e a sua tímbrica se entrelaçam, formando estruturas sólidas em prol do equilíbrio global da obra”.
Em resumo, um “caos ordenado”, “uma ilusão pensada para criar na sua superfície a imagem de uma intensa sensação de desordem e aleatoriedade, na realidade fruto de uma estrita ordem latente no seu interior, similar a tantos processos presentes na natureza ou no próprio mecanismo do cosmos”.

 

“o esforço de tantos anos de trabalho vai dando os seus frutos”

Considera o Prémio SPA/Antena 2 um reconhecimento pelo seu trabalho e uma grande motivação: “Supõe um grande estímulo para continuar a compor, significa que vou pelo bom caminho e que o esforço de tantos anos de trabalho vai dando os seus frutos. Ao mesmo tempo, é uma oportunidade para dar-me a conhecer, de que a minha obra seja ouvida, de dar maior visibilidade ao meu trabalho”.

O futuro ainda é incerto, por isso a jovem compositora tem a expectativa de que o prémio represente um antes e um depois na sua carreira: “vou pôr todo o meu empenho e esforço, de forma a seguir progredindo e poder corresponder a este impulso e oportunidade que me brinda o Prémio de Composição SPA/Antena 2”.

 

“não pensar que por ganhar um concurso se é o melhor do mundo ou o contrário”

“Os concursos são bons sempre e quando haja equilíbrio, quer dizer, uma competição “sã” por parte dos concorrentes. Há que procurar ser objetivo, consciente da realidade, não pensar que por ganhar um concurso se é o melhor do mundo ou o contrário, que por não ganhar se é o pior”, diz.

Com efeito, o Prémio Jovens Músicos (PJM) é “toda uma referência, uma iniciativa fantástica e um exemplo a seguir por todas aquelas instituições que organizam e patrocinam este tipo de eventos”. Uma mostra única do talento dos jovens músicos portugueses: “Além do mais, este evento, aborda distintos âmbitos como a interpretação, a direção e a composição, abarcando também a música erudita e o jazz, o que permite que seja muito enriquecedor para qualquer músico”.

 

As paixões da Guitarra e da Composição

“Quando tinha nove anos, na escola, ouvi um concerto para guitarra que despertou muito a minha atenção, a partir desse momento decidi que queria ser guitarrista”, conta.

Paralelamente, estudou Guitarra e Piano. Depois surgiu a paixão pela Composição: “Quando tinha uns 16 anos tinha claro que queria dedicar-me á música, surgindo-me então o dilema de escolher entre Guitarra e Composição para continuar o estudo superior. Após muito meditar não fui capaz de abdicar de nenhum e decidi continuar com os dois cursos”.

 

“estou muito grata a todos aqueles professores que me ajudaram”

De nacionalidade luso-espanhola, começou a estudar música no Colégio e na Escola Municipal de Música de Olivença. Prosseguiu os estudos no Conservatório Superior de Música de Badajoz, nas classes de Piano, Guitarra e Composição: “estou muito grata a todos aqueles professores que me ajudaram, com os seus conselhos e conhecimentos para começar este longo caminho”.

Por fim, fez a licenciatura em Guitarra e Composição na ESML (Escola Superior de Música de Lisboa): “Para além de dispor de umas instalações magníficas para o ensino da música, tive magníficos professores que me aconselharam e transmitiram conhecimentos, dando-me a oportunidade de escutar as minhas obras e trabalhar em conjunto com os meus companheiros intérpretes, ao mesmo tempo que me orientavam na composição”.

Foram igualmente importantes todos aqueles que lhe fizeram encomendas e interpretaram a sua música, como a Sociedad Filarmónica de Badajoz e o Centro Nacional de Difusión Musical; o Trio Arriaga, a Orquestra Jovem de Extremadura e o Ensemble Sonido Extremo.

 

A falta de um reconhecimento automático dos títulos académicos na União Europeia

Dividida entre Espanha e Portugal, não vê grandes diferenças entre os dois países, mas queixa-se da falta de reconhecimento automático da União Europeia em relação aos títulos académicos de cada estado-membro: “Após ter terminado a licenciatura em música pela ESML, tanto em Guitarra como em Composição, tive que fazer um ano mais em Espanha em ambas as especialidades, para concluir, de acordo ao plano curricular em vigor neste país, as referidas licenciaturas”.

Depois de concluir quatro licenciaturas e um mestrado, pôde finalmente começar a sua carreira profissional no ensino: “Até ao momento sempre trabalhei como professora em Portugal, no entanto, não sabemos as voltas que a vida dá e por isso é sempre bom ter tudo em ordem de acordo com as normas de cada país”.

 

“Temos muito que percorrer até atingirmos culturalmente os níveis de outros países”

Garantida e segura é a excelente qualidade dos intérpretes e compositores portugueses, “alguns deles muito admirados e com grande projeção internacional”. Porém, estes não são os melhores tempos para a cultura e educação: “Temos muito que percorrer até atingirmos culturalmente os níveis de outros países. Apesar de tudo há que ser otimista, no nosso país celebram-se magníficos festivais, concertos, iniciativas como a do Prémio Jovens Músicos, que nos aproximam de outros países com maior tradição neste campo, devemos investir e trabalhar mais em prol da educação, esta é a chave”.

Assim como a nova geração de músicos e compositores, que existe graças ao caminho das gerações anteriores:souberam-nos transmitir conhecimentos, ajudaram-nos a superar as dificuldades e no dia-a-dia são um exemplo a seguir”.

“Espero que esta ambição que nos caracteriza agora, o desejo de aprender, de transformar, não esmoreça com o tempo já que é o motor para continuar a trabalhar e a progredir na nossa profissão, espero que esta geração possa contribuir para engrandecimento da música portuguesa à semelhança de todos aqueles que o fizeram no passado bem como dos atuais compositores e compositoras, que são um exemplo para todos nós”, destaca.

 

A obra ganhadora do I Concurso Internacional de Composición “Manuel de Falla”

O caminho de inês Badalo prossegue no próximo sábado, dia 7 de outubro, no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, onde será estreada Entropía, pela Orquestra Gulbenkian, dirigida por Nuno Coelho, no âmbito do Festival Jovens Músicos.

Ainda em outubro, no dia 20, será interpretada a sua obra para guitarra Toru, dento do VIII Festival de la Guitarra de Sevilla - foi a obra ganhadora do I Concurso Internacional de Composición “Manuel de Falla” e está programada como obrigatória na Prova Semifinal do concurso de guitarra convocado pelo referido Festival. Também em breve, Toru será gravada pelo guitarrista suiço Damiano Pisanello através do selo discográfico Contrastes Records.

No dia 18 de novembro é a estreia, em França, de Aqui, Ali, Nós no Musée d’art  et d’historie de Saint-Denis em París, pelo Ensemble vocal Soli-Tutti e o Ensemble instrumental de Castelo Branco, dirigidos por Denis Gautheyrie.

 

 

Inés Badalo

Inés Badalo (1989*) guitarrista e compositora hispano-lusa. Realizou os estudos de piano, guitarra e composição no Conservatório Superior de Música de Badajoz. Posteriormente, prosseguiu os estudos de composição e guitarra na Escola Superior de Música de Lisboa, onde obteve os diplomas superiores, finalizando também os mesmos estudos em Espanha.

Recebeu conselhos de compositores como Franck Yeznikian, Christopher Bochmann, Luís Tinoco e Jose Manuel López López. As suas obras foram distinguidas em Portugal e Espanha, com o Premio de Composición Musical “Fac quod agis”, Prémio de Composição SPA – Antena 2, e Concurso Internacional de Composición “Manuel de Falla”.

Tem recebido encomendas do Centro Nacional de Difusión Musical, Sociedad Filarmónica de Badajoz, RTP-Antena 2, e o seu catálogo inclui obras programadas em concursos nacionais e internacionais como a “31ª Edição do Prémio Jovens Músicos” e o “VIII Festival Internacional de la Guitarra de Sevilla”.

As suas composições têm sido estreadas por prestigiados agrupamentos, incluindo o Trio Arriaga, Ensemble Sonido Extremo, Orquestra de Câmara do Conservatório Superior de Música de Badajoz, Orquestra Jovem de Extremadura, Ensemble vocal Soli-Tutti, entre outros.

 

 

Foto: José Pascual Pastor
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