PJM 2018

título da imagem

FESTIVAIS

PRÉMIO JOVENS MÚSICOS

Autor: Sandra Bastos

14 mar 2018

Última atualização: 07 out 2018


Pedro Figueiredo, Vencedor PJM Contrabaixo

Há 10 anos que o Prémio Jovens Músicos (PJM) não atribuía um primeiro prémio aos contrabaixistas. A honra de quebrar o longo jejum vai para Pedro Figueiredo que se sagrou vencedor em 2017, nível médio, e levou o Contrabaixo ao Concerto de Laureados com a Orquestra Gulbenkian.

A estudar na universidade Hanns Eisler, em Berlim, sente-se feliz e realizado. Acredita que o PJM já lhe está a abrir outras portas e que a sua geração tem tudo para vingar, vencer e fazer acontecer.

Pedro Figueiredo recebeu também o Prémio Da Capo, atribuído a um dos vencedores do nível médio do PJM, desde 2014, sucedendo a Agostinho Sequeira, Bruno Santos e Catarina Rebelo.

 

Pedro Figueiredo foi um vencedor logo na sua primeira participação no PJM. À prova esteve também a sua capacidade de preparação: “Achei, desde o início, que participar neste concurso seria uma excelente forma de me “obrigar” a desenvolver esse aspeto. Ser capaz de aproximar os resultados do palco com os da sala de estudo é algo que, nesta fase, me motiva mais do que, por exemplo, prémios monetários. Portanto, o que eu mais esperava do PJM posso dizer que já recebi.”.

Além da rotina de estudo habitual, o processo de preparação envolveu mais apresentações em público com críticas personalizadas dos colegas: “pedi que me ouvissem e me criticassem na sala de estudo. Todos os meus colegas têm um nível artístico muito elevado, e eu seria um tolo se não tirasse partido disso”.

 

“senti-me bastante feliz e realizado”

A estudar na Hochschule für Musik Hanns Eisler, em Berlim, na classe do professor Janusz Widzyk o jovem contrabaixista confessa que o mais difícil foi ausentar-se da capital alemã, tendo perdido aulas e aumentado as suas despesas financeiras. No entanto, foram sacrifícios que valeram a pena, “em prol de algo maior”.

E nada melhor do que ter conseguido quebrar o jejum de 10 anos na atribuição do 1º prémio de Contrabaixo no PJM: “senti-me bastante feliz e realizado”.  A “cereja no topo do bolo” veio com a oportunidade de tocar a solo com a Orquestra Gulbenkian, no Concerto de Laureados, onde interpretou o 2º e 3º andamentos do Concerto para Contrabaixo e Orquestra de Sergei Koussevitsky.

 

“[O PJM] abriu-me um conjunto de portas interessantes, sendo que algumas delas nunca se abririam de nenhuma outra maneira”

“Não creio que o PJM terá um impacto “milagroso” na minha carreira, mas certamente abriu-me um conjunto de portas interessantes, sendo que algumas delas nunca se abririam de nenhuma outra maneira, tornando-se assim em algo imensamente gratificante”, sublinha.

Destaca que pelo facto do PJM estar associado à RTP/Antena 2, não promove apenas a competição, mas também a aprendizagem: “confere-lhe uma certa notoriedade e faz com que os participantes o encarem de forma responsável, séria, mantendo um caráter leve e amistoso, ao contrário do que acontece em muitos outros concursos. Por ser capaz de combinar estas características, que, à partida, não se pensa poderem coexistir, o PJM e toda a sua equipa está de parabéns”.

 

“Tenho tido o prazer de estar envolvido num lobby cultural e artístico excecional”

Da sua ainda curta carreira, destaca o momento em que foi estar para a Escola Profissional de Música de Espinho com o professor Tiago Pinto-Ribeiro: “foi o momento-chave que desbloqueou tudo o que tenho e alcancei hoje. Ele deu-me as ferramentas necessárias para construir uma carreira profissional de sucesso”.

Depois, a ida para Berlim: “Tenho tido o prazer de estar envolvido num lobby cultural e artístico excecional - rodeado por colegas com um nível artístico altíssimo -, e de trabalhar com um professor formidável, Janusz Widzyk, que faz questão de se envolver ativamente no meu percurso e de me ajudar a vingar com excelência”.

Inesquecível tem sido a sua participação, desde 2016, na orquestra Gustav Mahler Jugendorchester: “É dos projetos que mais me fez crescer e nutro um carinho imenso por todos os meus companheiros lá”.

Por último, o mais importante: o apoio dos pais, “a peça fundamental em tudo isto”.

 

“Quero ser feliz a fazer o que faço, sem stresses nem quezílias interpessoais, ao mesmo tempo que usufruo de música bem tocada”

Agora, a prioridade é acabar o curso: “Ainda estou numa fase de formação e há muito que aprender e aperfeiçoar. O conhecimento vem de todos os lados e direções, especialmente em Berlim”. O próximo passo será conseguir numa academia de orquestra.  

Procura manter-se aberto a todas as possibilidades em relação ao futuro, mas não esconde o desejo de encontrar um trabalho que lhe proporcione bem-estar e um nível de qualidade de vida bastante elevada: “Quero ser feliz a fazer o que faço, sem stresses nem quezílias interpessoais, ao mesmo tempo que usufruo de música bem tocada, a um nível que me faça sentir realizado. Isto pode acontecer em muitos sítios do mundo. Os países nórdicos fascinam-me, e os lugares mais exóticos também, como a Austrália, Nova-Zelândia, Malásia, etc...”

 

“acho que nascemos na altura certa e muitos de nós estamos no sítio certo para vingar, vencer e fazer acontecer”

Pedro Figueiredo acha fundamental para um jovem músico estudar no estrangeiro para que possa fazer música ao mais alto nível e a prova está no crescente número de jovens que procuram soluções no estrangeiro, pois “o nível musical é bastante superior”.

“Falo não só do ensino musical, mas também do nível cultural e artístico. Berlim tem mais orquestras e mais oportunidades que Portugal, por exemplo. Estamos a falar de uma cidade vs um país inteiro. “Lá fora a coisa é levada mais a sério”, e verifica-se um elitismo inigualável no panorama musical erudito”, explica.

No entanto, acredita que “estas novas gerações que se têm vindo a formar no estrangeiro nos últimos anos poderão desempenhar um papel relevante no desenvolvimento do nível musical e artístico em Portugal, caso decidam regressar”.

“Quanto a mim e à minha geração, acho que nascemos na altura certa e muitos de nós estamos no sítio certo para vingar, vencer e fazer acontecer”, acrescenta.

 

 

Pedro Figueiredo
  • Pedro Figueiredo
  • Pedro Figueiredo
  • Pedro Figueiredo com a Orquestra Gulbenkian
  • ´Prémio Da Capo
  • Entrega de Prémios PJM
  • Com os outros vencedores do PJM
  • Pedro Figueiredo com a Orquestra Gulbenkian
Anterior | Seguinte Voltar
Publicidade
título da imagem
título da imagem
título da imagem
título da imagem
título da imagem
Edições Convite à Música
título da imagem
título da imagem
Con Música
Frederico Fernandes
título da imagem
título da imagem
título da imagem
título da imagem
Companhia dos Vinhos do Douro
título da imagem
ava
Mário Jorge Silva