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Autor: Sandra Bastos

16 mai 2017

Última atualização: 17 set 2017


Rui Pedro Rodrigues na Academia da Orquestra Sinfónica da Rádio de Berlim

Foi para Berlim à procura de outros sonhos e logo no primeiro ano da licenciatura na Universidade de Música Hanns Eisler conseguiu lugar na Academia da Orquestra Sinfónica da Rádio de Berlim (Rundfunk-Sinfonieorchester Berlin), onde está desde setembro do ano passado. Atualmente, é também Contrabaixo solo da Orquestra de Jovens da União Europeia e membro da Gustav Mahler Jugendorchester.

 

Desde que chegou a Berlim, a cidade que “respira arte, tradição musical e oportunidades” para estudar na Hochschule für Musik “Hanns Eisler“, Rui Pedro Rodrigues tinha como objetivo fazer provas para as academias das orquestras. “Estando numa cidade repleta de orquestras sinfónicas e casas de ópera do mais alto nível, as oportunidades vão surgindo naturalmente e foi de facto um enorme orgulho ter conseguido cumprir este objetivo ainda no meu primeiro ano de licenciatura. A Orquestra Sinfónica da Rádio de Berlim é uma instituição quase centenária, extremamente bem reputada e, como tal, estou muito contente”, sublinha.

Começou em setembro do ano passado o período como academista, uma experiência que define como “altamente enriquecedora a todos os níveis”. E dá exemplos: “Trabalhar lado a lado com músicos de um patamar elevadíssimo e pertencer a uma orquestra com uma visibilidade e uma tradição de renome é realmente inspirador para qualquer jovem músico. Estou muito satisfeito e tenho ainda a sorte de ter um tutor e uns colegas de naipe acessíveis e amigáveis, o que torna o processo de aprendizagem ainda mais rápido e prazeroso. Espero continuar a evoluir e a aprender até ao final do meu contrato (julho de 2018).”

 

“Não podemos comparar o panorama nacional artístico com outras realidades europeias”

O desafio tem sido conciliar a Academia com o curso e outros projetos de orquestra. Rui Pedro tenta esta à altura e diz ter a consciência de que esta é “uma fase importante” na sua “aprendizagem e familiarização com as rotinas de trabalho de um músico de orquestra”. Acredita, assim, que o seu futuro passará pelo trabalho em orquestra.

Foi a pensar no seu futuro que saiu de Portugal: “É triste quando temos de sair do nosso país porque percebemos que as oportunidades na nossa área são diminutas. Há cada vez mais músicos a ir estudar para fora e penso que muitos deles partilham esta opinião. Não podemos comparar o panorama nacional artístico com outras realidades europeias. Fazer o curso superior em Portugal não era por isso o meu objetivo, e felizmente, fui admitido numa das melhores universidades do mundo para os instrumentistas de cordas.”

 

“na Alemanha as prioridades estão melhor definidas e são mais pragmáticos no que toca ao mercado de trabalho”

Considera que “o ensino na Alemanha é bem mais focado na parte prática do curso”, ou seja, “na Alemanha as prioridades estão melhor definidas e são mais pragmáticos no que toca ao mercado de trabalho”.

Relativamente à procura e oferta cultural, as diferenças não podiam ser maiores: “História, contextos e costumes diferentes, portanto, diferentes formas de vida. Na Alemanha, as pessoas procuram infindavelmente o enriquecimento artístico e criativo. Existe uma adesão enorme aos museus, exposições, concertos e todas as mais variadas formas de arte. As famílias vão ouvir as orquestras, estão por dentro do que se passa, sabem que este maestro vai dirigir aquela orquestra nessa semana e por isso as salas estão sempre cheias”.

Enquanto que, em Portugal, “o centro de interesse consiste no futebol, televisão e centros comerciais. Vive-se numa sociedade de consumo em que, infelizmente, consome-se pouca cultura. É uma realidade triste. A oferta cultural tem vindo a aumentar, mas a mudança ocorre a um ritmo ainda muito lento”.

Porém, apesar de todas as diferenças, Rui Pedro Rodrigues confessa que é em Portugal que gosta de estar e gostaria de fazer carreira no futuro, por ser “um verdadeiro paraíso em muito aspetos (excepto na música erudita)”.

 

Das memórias felizes em Braga à mestria do professor Tiago Pinto-Ribeiro em Espinho

Começou a estudar música aos seis anos, no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga e de lá traz “as memórias mais felizes” e “uma base teórica muito sólida”.

Porém, o momento-chave da sua formação no Contrabaixo foram os três anos que estudou com o professor Tiago Pinto-Ribeiro, na Escola Profissional de Música de Espinho: “Sem dúvida, a pessoa mais importante no meu percurso até agora. Um verdadeiro mestre não só na área da performance mas na arte do ensino. Comecei por aprender a pegar no arco e acabei a conquistar objetivos que nem sonhava serem possíveis”.

Nesses objetivos que não ousava sonhar estavam a entrada na Orquestra de Jovens da União Europeia, que conseguiu logo no 11º ano: “Foi um momento muito marcante. Era dos mais novos da orquestra e foi o meu primeiro contacto com outros jovens músicos provenientes de toda a Europa. Aprendi imenso e motivou-me a continuar a trabalhar.”

Um ano depois, outro sonho: a admissão na Hochschule für Musik “Hanns Eisler” Berlin, na classe do professor que pretendia - Matthew McDonald. Foi ainda Tiago Pinto.Ribeiro que o ajudou a preparar-se para a prova da Academia: “Ensinou-me tudo o que sei até hoje e, como tal, para além da minha família que sempre me apoiou incondicionalmente, é graças a ele que hoje também escrevo estas palavras.”

 

“a consciência, o nível da performance e o nível do ensino dos músicos portugueses aumentaram significativamente”

Defende a evolução do Contrabaixo em Portugal, à semelhança dos outros instrumentistas portugueses. Aponta como exemplo o número crescente de contrabaixistas admitidos nas orquestras de jovens europeias como a EUYO ou a Gustav Mahler Jugendorchester. “Ano após ano, cada vez somos mais e melhor representados. É motivo de orgulho porque há uns anos o panorama era diferente. Acredito que em geral, a consciência, o nível da performance e o nível do ensino dos músicos portugueses aumentaram significativamente”, afirma.

E para que o crescimento continue a atinja patamares mais elevados aconselha os jovens contrabaixistas “a saírem das salas estudo, do ambiente fechado e a procurarem quem possa oferecer algo mais”.

“Creio que é fundamental darem-se a conhecer e procurarem as pessoas certas. Eu tive a sorte de encontrar em Portugal um professor ao nível dos melhores da Europa que me deu as ferramentas necessárias para poder chegar onde estou hoje. Se não o tivesse feito, a minha carreira teria rumado a um futuro bem menos prometedor”, acrescenta.

 

“a definição de sucesso é diferente e subjetiva a cada pessoa”

Rui Pedro Rodrigues compara o trabalho de um músico a um atleta de alta competição: “Para além do óbvio que será o estudo intensivo e adequado ao programa a apresentar, existem outros aspetos que muitas vezes acabam por ser negligenciados, desde o sono à alimentação, fatores psicológicos… No fundo, rotinas criadas em função do desafio”.

Diz que vão existir sempre variáveis fora de controlo, por isso aconselha: “adaptar a nossa preparação para que a probabilidade de a nossa performance ser bem sucedida seja a mais alta possível. Ainda assim, a definição de sucesso é diferente e subjetiva a cada pessoa”.

 

“a preparação psicológica antes do momento em palco terá certamente benefícios na performance”

No que diz respeito à saúde física e mental, tenta manter uma alimentação equilibrada, praticar desporto e ter um bom ciclo de sono.

Para o stress em palco, também há cuidados a ter: “costumo compará-lo com as montanhas russas: Na primeira vez os nervos estão à flor da pele, mas à medida que se repete o percurso muitas vezes, certamente a ansiedade não será tão forte como da vez anterior e, apesar de nunca desaparecer por completo, conseguimos lidar melhor com este fator. Como também já referi, a preparação psicológica antes do momento em palco terá certamente benefícios na performance”. 

 

 

Rui Pedro Rodrigues 

Rui Pedro Guimarães Rodrigues iniciou os seus estudos musicais aos seis anos no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga. Em 2012 ingressou na Escola Profissional de Música de Espinho, na classe de contrabaixo do professor Tiago Pinto-Ribeiro.

Em 2014, apresentou-se a solo com a Orquestra Clássica de Espinho e foi admitido na European Union Youth Orchestra Leverhulme Summer School. Apresentou-se mais tarde com a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música e Spira Mirabilis. Participou em masterclasses com Wolfgang Güttler, Simo Väsãnen, Wies de Boevé, Luís Cabrera, Michael Wolf, entre outros.

Contrabaixo solo da European Union Youth Orchestra e membro da Gustav Mahler Jugendorchester, Rui Rodrigues é também, na presente temporada, academista da Rundfunk-Sinfonieorchester Berlin e músico convidado da Budapest Festival Orchestra.

Atualmente, frequenta o seu segundo ano de licenciatura na Hochschule für Musik "Hanns Eisler“ Berlin, na classe do professor Matthew McDonald.

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