O festival reforçou o papel de Óbidos na descentralização da ópera em Portugal

Festival de Ópera de Óbidos encerra com mais de 2500 espectadores

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Da Capo

  • Orfeu e Eurídice, foto de Davide Silva
  • Orfeu e Eurídice, foto de Davide Silva
  • Orfeu e Eurídice, foto de Davide Silva
  • Orfeu e Eurídice, foto de Davide Silva
  • Orfeu e Eurídice, foto de Davide Silva

A edição dedicada ao tema «Luz e Trevas» apresentou cinco espetáculos em sete sessões, quatro das quais esgotadas. Segundo a organização, a taxa média de ocupação foi de 97%.

 

O Festival de Ópera de Óbidos decorreu entre 5 e 20 de setembro, reunindo mais de 2500 espectadores numa programação que cruzou ópera, oratória e recital em diferentes espaços do concelho. Promovido pela ABA — Banda de Alcobaça Associação de Artes, em parceria com o Município de Óbidos, o festival registou quatro sessões esgotadas e uma taxa média de ocupação de 97%, de acordo com o balanço divulgado pela organização.

 

Duas produções próprias marcaram esta edição: A Cinderela, ou o Triunfo da Bondade, de Rossini, com encenação de Pedro Ribeiro e direção musical de Julia Jones, e Orfeu e Eurídice, de Gluck, com encenação de Carlos Antunes. No conjunto, as duas óperas deram origem a quatro récitas.

 

A gala inaugural, na Praça da Criatividade, reuniu 715 espectadores, naquele que a organização apresenta como o maior público de uma gala de abertura desde o ressurgimento do festival. A programação acolheu também, pela primeira vez, uma oratória: Caim, ou o Primeiro Homicídio, de Alessandro Scarlatti, em coprodução com a Fundação Casa de Mateus. O recital De Purcell a Britten: mais de dois séculos de paixão shakespeariana, no Museu Abílio de Mattos e Silva, completou o programa.

 

O encontro entre diferentes gerações de intérpretes foi outro dos eixos da edição. Participaram artistas como Luís Rodrigues, Ana Quintans e a mezzo-soprano brasileira Luisa Francesconi, ao lado de Cláudia Ribas, Tiago Matos, João Terleira, Joana Santos e Helena Ressurreição. Na direção musical, o festival contou também com Jan Wierzba e Pedro Carneiro, e reuniu estruturas como a Orquestra das Beiras, a Orquestra Barroca de Mateus e a Orquestra de Câmara Portuguesa.

 

Para a diretora artística, Carla Caramujo, "o sucesso desta edição confirma o festival como um espaço importante de descentralização e promoção da ópera em Portugal". No mesmo balanço, a organização cita Américo Rodrigues, diretor-geral das Artes, que destacou o festival como "um exemplo que devia inspirar outros territórios", por ajudar a levar a ópera a públicos fora de Lisboa.

 

Além da Praça da Criatividade e do Museu Abílio de Mattos e Silva, o festival passou pela Igreja da Misericórdia e pelo Convento de São Miguel das Gaeiras, que tem vindo a assumir-se como o seu principal palco. José Rafael Rodrigues, diretor-geral do festival, associa essa evolução ao trabalho de adaptação do convento e à melhoria das condições técnicas e logísticas para acolher produções de ópera.

 

A organização destaca ainda o Alto Patrocínio do Presidente da República atribuído à edição de 2026 e o apoio dos mecenas Fundação ”la Caixa”, em colaboração com o BPI, e Égide — Associação Portuguesa das Artes, no desenvolvimento do projeto.

 

 

http://festivaloperaobidos.pt

 

 

Fotos: Susana Neves e Davide Silva

 

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