Festival Província Sonora

“desafiar a criação contemporânea a escutar os lugares, as vozes e os gestos que a precedem”

 — 

Sandra Bastos

  • Festival Província Sonora
  • Festival Província Sonora
  • Julho a Outubro,

     —  Vieira do Minho, Póvoa do Lanhoso, Chaves, Sardoal, Vila Verde, Setúbal e Badajoz

  • Organização

    Artway

  • MAIS INFORMAÇÕES

    https://www.facebook.com/festivalprovinciasonora/

PROGRAMAÇÃO

  • 4 de julho, em Vieira do Minho —  14h – 17h - Workshop Dalila e Melissa "Era uma vez a lã", Casa de Lamas Centro Cultural
  • 17h - Concerto Vespertino/ Bando de Surunyo, Casa de Lamas Centro Cultural —  18h - Concerto "Era uma vez a lã", pelas pianistas Dalila Teixeira e Melissa Fontoura, Casa de Lamas Centro Cultural
  • 20:00H —  5 julho, em Vieira do Minho
  • 11h - Paisagem Sonora – Tecedeiros, Barragem do Ermal —  16h30 - Concerto Vespertino / “Bach na Aldeia”, Casa de Lamas Centro Cultural
  • 18h - Ensemble Darcos + Coro Ricercare, Casa de Lamas Centro Cultural —  21h - Banda a anunciar – arruada
  • 22h - Desgarrada Encantada - Ensemble Provinciano, Praça Dr. Guilherme Abreu —  19 de julho, em Vila Verde
  • 16h - WORKSHOP Era uma vez a lã, Centro de Artes e Cultura de Vila Verde —  21h - CONCERTO Era uma vez a lã, Centro de Artes e Cultura de Vila Verde

O Festival Província Sonora, organizado pela Artway e com direção artística de Vanessa Pires, regressa no próximo mês de julho, em Vieira do Minho, nos dias 4 e 5, com o workshop Dalila e Melissa "Era uma vez a lã", os concertos Vespertinos com o Bando de Surunyo, o Ensemble Darcos e o Coro Ricercare, a realizar na Casa de Lamas Centro Cultural, e a Desgarrada Encantada, entre outras atividades. No dia 19 de julho o Festival vai passar por Vila Verde, com o Workshop e o concerto “Era uma vez a lã”, no Centro de Artes e Cultura de Vila Verde.

 

Esta é a terceira edição do festival que se tem afirmado como um projeto cultural descentralizador, que promove o encontro entre a tradição e a criação contemporânea, com concertos e workshops em várias localidades do país — e este ano também em Espanha.

 

Vanessa Pires conta-nos os bastidores deste projeto que promete continuar a fazer a diferença no panorama musical português.

 

 

Um festival em crescimento

 

A terceira edição do Festival Província Sonora, com programação até outubro, vai chegar a localidades como Vieira do Minho, Póvoa do Lanhoso, Chaves, Sardoal, Vila Verde, Setúbal e, pela primeira vez, em Badajoz (Espanha), com concertos e workshops. Para Vanessa Pires, diretora artística, o festival tem tido “um crescimento orgânico e consistente, quer na adesão do público, quer na complexidade artística do programa”.

 

A programação deste ano “partiu de um mapeamento afetivo e estratégico”: “procurámos continuar o trabalho em municípios com quem já temos uma relação sólida, como Vieira do Minho, e abrir novas pontes, como com Badajoz, com quem partilhamos afinidades históricas, linguísticas e culturais”.

 

 

Momentos a Não Perder

 

Entre os muitos momentos da edição de 2025, destacam-se a “Desgarrada Encantada” na Praça Guilherme de Abreu, em Vieira do Minho, e a performance “Paisagem Sonora com os Tecedeiros” na Barragem do Ermal. Mais do que concertos, estas propostas tornam-se verdadeiros rituais de escuta, cruzando tradição oral e instalação sonora num ambiente profundamente imersivo.

 

Na vertente pedagógica, os workshops com as artistas Dalila Teixeira e Melissa Fontoura têm envolvido o público mais jovem: “Apresentar o festival às crianças, valorizando as tradições locais ligando-as a compositores como Debussy e Ravel, entre outros, tem trazido uma profundidade que, para nós, é o significado de um serviço educativo que perdura.”

 

 

“desafiar a criação contemporânea a escutar os lugares, as vozes e os gestos que a precedem”

 

Desde a sua fundação, o festival apostou no conceito da música como lugar de pertença e transformação. “Este diálogo entre tradição e erudição responde a uma urgência: a de valorizar a cultura enraizada sem a cristalizar, e a de desafiar a criação contemporânea a escutar os lugares, as vozes e os gestos que a precedem”, explica.

 

O resultado é um programa onde se interligam arranjos contemporâneos de melodias tradicionais e estreias de obras eruditas inspiradas pela geografia afetiva dos locais onde o festival acontece. “O essencial é que o diálogo seja sempre ético e atento à escuta mútua”, sublinha.

 

 

A música como paisagem e escuta coletiva

 

Um dos traços distintivos do festival é o seu caráter itinerante e o diálogo constante com o território, um encontro entre o património e a criação contemporânea. Os concertos não acontecem em salas convencionais - são encenados em igrejas, miradouros, barragens ou espaços naturais. A música torna-se, assim, paisagem e escuta coletiva.

 

Ao ativar lugares menos centrais, o festival contribui para uma geografia cultural mais justa: “Escolhemos atuar em diálogo com a arquitetura, a memória e o território”.

 

 

“o que está em jogo não é apenas arte: é reconhecimento, é pertença, é território que se ativa”

 

O cruzamento artístico de músicos locais, como as bandas filarmónicas, ranchos folclóricos e músicos amadores com os músicos profissionais é, para Vanessa Pires, “o coração do festival”, porque “não há verdadeira descentralização sem envolvimento”.

 

“Quando um rancho canta com um ensemble contemporâneo, ou uma filarmónica interpreta uma obra nova escrita para si, o que está em jogo não é apenas arte: é reconhecimento, é pertença, é território que se ativa”, destaca.

 

 

“Cada paragem tem as suas singularidades”

 

Realizar um festival com tantas paragens e diferentes dinâmicas locais é um desafio logístico exigente: “Cada paragem tem as suas singularidades. Trabalhamos em rede com equipas locais e mantemos um núcleo de produção coeso que garante a identidade do festival.”

 

A estrutura da Artway tem-se adaptado para que cada edição represente uma renovação e não apenas repetição. Nesse sentido, tem sido fundamental o apoio de instituições públicas e associações locais, nomeadamente da DGArtes e do Município de Vieira do Minho.

 

 

“criar outra temporalidade artística, mais ética, mais envolvente e transformadora”

 

Para a diretora artística, o maior desafio é o tempo: “criar confiança, mobilizar comunidades, cruzar linguagens exige um calendário longo, pouco compatível com lógicas de mercado. A oportunidade é, justamente, essa: criar outra temporalidade artística, mais ética, mais envolvente e transformadora”.

 

Quanto ao futuro, a ambição não é crescer em escala, mas em profundidade. “Mais do que crescer em número, queremos aprofundar os vínculos com os territórios, criar projetos de continuidade entre edições e reforçar a presença do festival ao longo do ano, também em contexto escolar ou comunitário.”

 

 

“sempre com os pés na terra e os ouvidos atentos”

 

O caminho percorrido até aqui permite um balanço “profundamente positivo”. Para Vanessa, o festival “consolidou-se como um espaço singular no panorama nacional”, sendo hoje reconhecido como um projeto de “encontro entre o património e a criação contemporânea”.

 

Os próximos passos passam por aprofundar a dimensão formativa e reforçar a internacionalização, “sempre com os pés na terra e os ouvidos atentos”.

 

 

Eventos Sugeridos