João Pedro Lourenço

“há algo de profundamente estimulante em estar perante uma página em branco, em acompanhar o surgimento de uma ideia e contribuir para a sua materialização”

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Sandra Bastos

  • João Pedro Lourenço
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A música contemporânea, a improvisação e o diálogo com outras disciplinas são hoje marcas incontornáveis do percurso de João Pedro Lourenço. Entre a criação de novas obras, o trabalho com compositores, a colaboração com artistas de diferentes áreas e a atividade pedagógica, construiu um caminho onde a curiosidade se tornou método e a experimentação uma forma de pensar a música.

 

Formado entre Portugal e Espanha e atualmente a prosseguir os seus estudos na Universidade de Aveiro, João Pedro Lourenço integra uma geração de intérpretes para quem a criação contemporânea não representa uma especialização, mas uma forma natural de construir o repertório do futuro. O trabalho desenvolvido ao lado de compositores, a ligação ao CLAMAT, a proximidade artística com Vítor Rua e a abertura à literatura, ao teatro, às artes plásticas e à performance refletem uma visão onde o intérprete deixa de ser apenas executante para participar ativamente no processo criativo.

 

Nesta partilha com a Da Capo, fala da formação, dos mestres que marcaram o seu percurso, da importância da colaboração, da pedagogia e dos desafios que a música contemporânea continua a colocar às novas gerações de músicos.

 

 

“A percussão, de facto, tem essa capacidade singular de se transformar com facilidade em potencial matéria musical”

 

A música entrou na vida de João Pedro Lourenço de forma quase intuitiva. Sem antecedentes familiares ligados à música, foi a curiosidade que o conduziu: “sinto que foi tudo muito natural, sem forçar nada, apenas segui o meu instinto sem orientações”.

 

Na infância, foi o rock e o som da bateria que despertaram a sua atenção. A procura por um contexto onde pudesse explorar a bateria levou-a às bandas filarmónicas. “Devo dizer que a partir daí abriram-se caminhos que se traduziram inevitavelmente e sem pensar muito na escolha pela percussão, talvez pela sua caraterística de se inserir em diversas estéticas/estilos musicais e também pela alargada riqueza tímbrica”, conta.

 

“A percussão, de facto, tem essa capacidade singular de se transformar com facilidade em potencial matéria musical. Foi precisamente a combinação entre a curiosidade e exploração que me levou a criar uma ligação tão profunda com este universo desde cedo”, acrescenta.

 

 

A universidade como laboratório criativo

 

A formação de João Pedro Lourenço dividiu-se entre Portugal e Espanha, em experiências que considera “distintas, mas profundamente complementares”. A Universidade do Minho foi “um período de grande crescimento artístico e humano”, onde estudou com Richard Buckley e Nuno Aroso, dois músicos que marcaram decisivamente o seu percurso.  Em Braga, encontrou “um contexto particularmente fértil para o contacto com a música contemporânea, através de inúmeros projetos, estreias e processos criativos”, num “ambiente de partilha e de iniciativa”.  

Foi também em Braga que, juntamente com cinco colegas, ajudou a fundar o Hodiernos, ensemble dedicado à música contemporânea, com o objetivo de criar um espaço de experimentação artística dentro da universidade. Apadrinhado pelo compositor Eduardo Luís Patriarca, o grupo estreou obras escritas propositadamente para a sua formação e deu os primeiros passos na Bienal BoCA, dirigida por John Romão, através do projeto “Sente-me, Ouve-me, Vê-me”, uma homenagem à artista Helena Almeida, culminando com apresentações em Braga, Porto e no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa. “Foi uma experiência que guardo com enorme carinho porque demonstrou a iniciativa dos próprios estudantes e conseguimos uma dimensão para além do contexto académico”, sublinha.

 

 

“a possibilidade de construir uma identidade musical aberta e plural”

 

A passagem pela MUSIKEX – Escuela Superior de Música de Extremadura permitiu-lhe aprofundar outra vertente da sua formação. Sob orientação de Víctor Segura, solista da Orquesta de Extremadura, e de Bart Jansen, da Royal Concertgebouw Orchestra, desenvolveu um trabalho intenso sobre tímpanos e percussão orquestral, reforçando o rigor técnico e a consciência sonora no contexto da orquestra. Em paralelo, manteve o contacto com a criação contemporânea através de Joan Soriano Morales, ampliando a diversidade de influências que moldam o seu percurso.

 

Atualmente, a estudar na Universidade de Aveiro, o percussionista reconhece o que aprendeu com estes músicos: “a possibilidade de construir uma identidade musical aberta e plural”.

 

 

Nuno Aroso, Samuel Peruzzolo, CLAMAT, Juanjo Guillem e Armando Santiago

 

Entre as referências que marcaram o seu percurso, destaca Nuno Aroso, que descreve como “um músico extraordinário, que faz com verdade e lucidez”, que “trabalha muito o som e o gesto – uma espécie de poeta do som”: “É sem dúvida alguém dotado de uma enorme sensibilidade musical e humana”.

 

Outra influência decisiva foi Samuel Peruzzolo, seu professor durante o ensino secundário. Recorda aulas onde, muitas vezes, as baquetas permaneciam pousadas enquanto a conversa percorria territórios como a filosofia, a sociologia, a hermenêutica ou a semiótica.

 

No seu percurso destaca ainda o CLAMAT, projeto que considera transformador pelo contacto permanente com a criação contemporânea e pelo trabalho coletivo: “A aprendizagem em grupo e o contacto permanente com a contemporaneidade ajudam-me a perceber a riqueza que existe no encontro entre pessoas com percursos, sensibilidades e visões distintas”.

 

Mais recentemente, encontrou em Juanjo Guillem outra referência importante: “Admiro particularmente a sua capacidade de concretização, a rapidez com que transforma ideias em realidade e a forma pragmática e simultaneamente exigente com que encara os processos criativos”. Com ele aprendeu que “a reflexão é indispensável, mas que a criação exige igualmente coragem para agir, experimentar e fazer acontecer rapidamente”.

 

Entre todas as figuras que marcaram o seu percurso, há, contudo, uma presença que ocupa um lugar singular: a do compositor Armando Santiago (1932–2025). Durante os últimos cinco anos de vida do compositor, ambos mantiveram conversas regulares por videoconferência, encontros a que chamavam, em tom de cumplicidade, “NFV — Nudez Forte da Verdade”, evocando a célebre expressão de Eça de Queirós. “Eram encontros onde falávamos de música, naturalmente, mas também de literatura, de estética, de memória, de amizade e da própria vida. Guardo essas conversas como um património humano de valor incalculável.”, recorda. O facto de Armando Santiago lhe ter confiado a sua última obra musical permanece, para João Pedro Lourenço, “uma das maiores responsabilidades e honras” do seu percurso artístico.

 

 

“senti que a percussão poderia ser mais do que já me proporcionava”

 

A abertura à improvisação, à criação contemporânea e ao diálogo com outras linguagens surgiu de forma gradual. Hoje, é mais uma forma de responder a uma necessidade pessoal: “A determinada altura senti que a percussão poderia ser mais do que já me proporcionava, ou seja, o exclusivo trabalho de estudo individual e interpretação de um repertório específico ou mesmo o trabalho de orquestra”.

 

Foi sobretudo durante a formação académica que começou a olhar para a música a partir de outras perspetivas: “tive a sorte de me cruzar com personalidades que desenvolvem trabalhos fantásticos em música e noutros ambientes artísticos que não a percussão, isso fez-me despertar um interesse superior por várias correntes artísticas”.

 

 

A improvisação e a colaboração artística

 

O contacto com artistas de diferentes áreas despertou-lhe o interesse pela poesia, pela filosofia, pela pintura e pelo teatro, revelando-lhe que muitas das questões que o fascinavam enquanto músico: “o gesto, a identidade do artista ou de um som, o ritual ou até a história eram também centrais noutras disciplinas”.

 

Foi nesse contexto que a improvisação e a colaboração artística ganharam um lugar central no seu percurso: “Ambas implicam disponibilidade para o encontro e para a construção de algo que não pertence inteiramente a uma única pessoa”.  Para o percussionista, criar em conjunto significa “abandonar certezas” e “permanecer atentos ao que acontece no momento”. É precisamente nesse território de partilha e imprevisibilidade que diz encontrar os projetos que mais o desafiam e transformam enquanto artista.

 

 

“Aquilo que procuro nos projetos interdisciplinares é perceber de que modo essa poesia dialoga com outras: a da palavra, a da imagem, a do corpo ou a do espaço”

 

Literatura, teatro, vídeo e artes plásticas passaram a integrar o seu universo criativo, não como elementos exteriores à música, mas como diferentes formas de pensar o gesto e a performance. “Aquilo que procuro nos projetos interdisciplinares é perceber de que modo essa poesia dialoga com outras: a da palavra, a da imagem, a do corpo ou a do espaço”, confessa.

 

Um dos momentos determinantes deste percurso foi a participação num projeto de homenagem à artista plástica Helena Almeida. A experiência obrigou-o a abandonar o lugar convencional do percussionista e a assumir também uma dimensão performativa: “Trabalhei com papel, cerâmica e outros materiais que, à partida, não pertencem ao universo tradicional da percussão”.

 

“Foi uma experiência decisiva porque me fez compreender que o som é apenas uma das manifestações possíveis do gesto”, afirma. A obra de Helena Almeida, profundamente centrada na relação entre corpo, espaço e ação, levou-o a repensar a performance para além da produção sonora: “uma pincelada, uma palavra, um movimento ou um ataque sobre uma superfície podem nascer da mesma necessidade poética, considerando sempre o som”.

 

Desde então, o seu trabalho tem procurado um espaço de encontro entre as diferentes disciplinas, reconhecendo “essa matéria comum que as atravessa”. “Interessa-me descobrir onde a poesia de um gesto percussivo encontra a poesia de uma imagem, de um texto ou de um corpo em movimento”, explica.

 

 

O diálogo como processo criativo

 

Ao longo dos últimos anos trabalhou com personalidades como Vítor Rua, Pedro Eiras, Emília Silvestre e João Reis, experiências que surgiram sobretudo no contexto do CLAMAT e através da proximidade artística com Nuno Aroso.

 

Embora reconheça o privilégio de partilhar projetos com criadores de universos distintos, não acredita que essas experiências tenham alterado radicalmente a sua forma de pensar a música: “Apenas acho que elas trazem bastante riqueza ao trabalho que um percussionista, dedicado à vertente de solista, desenvolve diariamente em estúdio”.

 

A criação é, por natureza, um exercício solitário, mas é precisamente por isso que sente a necessidade de a abrir ao diálogo: “O trabalho de um músico é inevitavelmente solitário, portanto, é natural que procuremos sempre formas de o fazer chegar a mais pessoas e, se possível, partilhá-lo”.

 

 

“Cada compositor transporta uma forma singular de imaginar o som, e entrar nesse universo obriga-me constantemente a repensar os meus próprios hábitos enquanto músico”

 

Ao contrário de instrumentos como o piano ou o violino, cujo repertório se consolidou ao longo de vários séculos, a percussão afirma-se sobretudo a partir do século XX: “Grande parte dessa tradição continua a ser construída no presente. Cada nova obra acrescenta uma possibilidade ou uma nova abordagem/forma de pensar o instrumento”.

 

É essa ideia de construção permanente que o atrai. O contacto direto com os compositores permite-lhe acompanhar o processo criativo desde a sua origem, num verdadeiro laboratório onde intérprete e criador refletem em conjunto sobre o som, o gesto, a performance e as possibilidades do instrumento.

 

“Cada compositor transporta uma forma singular de imaginar o som, e entrar nesse universo obriga-me constantemente a repensar os meus próprios hábitos enquanto músico, construir instrumentos, etc.”, afirma.

 

 

Criar com os compositores, experimentar com os Telectu

 

Um dos exemplos mais recentes desta colaboração foi The Mechanics of Nails, obra de João Pedro Oliveira, concebida em estreito diálogo com o percussionista e estreada em abril deste ano.

 

Atualmente, João Pedro Lourenço encontra-se igualmente a desenvolver novos projetos com os compositores John Bagés i Rubí, Gabriel Erkoreka, Luís Antunes Pena, Eduardo Luís Patriarca e Pablo Palacio, dando continuidade a um percurso em que a criação contemporânea não é apenas repertório, mas um espaço permanente de investigação e descoberta.

 

Mantém igualmente uma colaboração regular com Vítor Rua, com quem estreou duas óperas e interpretou e gravou obras para percussão solo escritas pelo compositor desde a década de 1980. Dessa proximidade nasceu a possibilidade de colaborar com o histórico duo Telectu, enquanto percussionista e improvisador.

 

Embora essa participação ainda esteja a ser preparada, João Pedro Lourenço encara-a como uma forma de contribuir para um dos projetos mais marcantes da música experimental portuguesa: “Independentemente da forma que venha a assumir, interessa-me sobretudo a oportunidade de contribuir para um legado artístico tão relevante sem perder aquilo que considero essencial: o espírito de descoberta e liberdade criativa que sempre caracterizou os Telectu”.

 

 

 

“existe uma abertura crescente para a música contemporânea e para formas de criação mais experimentais”

 

A reflexão sobre a criação contemporânea leva-o inevitavelmente a olhar para o panorama musical português. Apesar de pertencer a uma geração ainda demasiado jovem para avaliar a evolução deste universo numa perspetiva histórica, acredita que “existe uma abertura crescente para a música contemporânea e para formas de criação mais experimentais”.

 

Essa mudança é mais visível entre os músicos mais jovens, que “encaram este repertório como uma parte natural da sua formação e da sua identidade artística, principalmente no contexto académico, em particular”. Destaca o trabalho desenvolvido por Pedro Junqueira Maia, no Departamento de Música da Universidade do Minho, que considera ter desempenhado um papel importante na aproximação de novas gerações à música contemporânea.
 

 

“a investigação, a experimentação e um grau considerável de risco artístico”

 

Não obstante o cenário encorajador, admite que continuam por criar “as condições ideais para que, sobretudo, os jovens criadores possam desenvolver o seu trabalho com tempo, continuidade e confiança”.

 

Considera que a criação contemporânea é constituída por três pilares essenciais: “a investigação, a experimentação e um grau considerável de risco artístico”. Defende que “nem sempre os resultados são imediatos, e por isso é fundamental existirem contextos que permitam aos artistas errar, testar ideias e amadurecer percursos sem a pressão constante da validação imediata”.

 

Além da necessidade de apoio financeiro, faltam oportunidades “para apresentar trabalho, para colaborar, para circular entre diferentes contextos e para estabelecer diálogos com artistas de gerações distintas. Muitas vezes, é desses encontros que surgem os projetos mais transformadores”.  O desafio passa, assim, por garantir aos criadores “espaço para crescer, permanecer e contribuir de forma duradoura para a vida cultural”.

 


 

“há algo de profundamente estimulante em estar perante uma página em branco, em acompanhar o surgimento de uma ideia e contribuir para a sua materialização”

 

Quando procura definir a sua identidade artística, João Pedro Lourenço evita rótulos: “A característica que melhor define a minha identidade artística é a recusa em estabelecer fronteiras demasiado rígidas para aquilo que a música pode ser”.

 

Confessa-se realizado quando participa em processos de colaboração direta na criação de uma obra ou performance, mas também quando trabalha em orquestra com repertório histórico.

 

“O que quero mesmo realçar é que para mim há algo de profundamente estimulante em estar perante uma página em branco, em acompanhar o surgimento de uma ideia e contribuir para a sua materialização, é sem dúvida o território onde me sinto mais confortável, mas também reconheço uma enorme beleza no exercício de entrar numa obra que já tem uma história, uma tradição interpretativa e um lugar na memória coletiva”, destaca.

 

 

“Cada aluno coloca questões diferentes, encontra dificuldades distintas e desenvolve uma relação singular com a percussão”

 

A atividade artística de João Pedro Lourenço estende-se também ao ensino, uma dimensão que considera inseparável da prática performativa e da investigação. A experiência pedagógica desenvolvida no CLAMAT e, mais recentemente, noutros contextos, reforçou a convicção de que ensinar é também uma forma de aprender.

 

“Cada aluno coloca questões diferentes, encontra dificuldades distintas e desenvolve uma relação singular com a percussão. Isso obriga-nos a refletir sobre aspetos que muitas vezes tomamos como adquiridos na nossa própria prática”, afirma.

 

Atualmente a frequentar um mestrado na Universidade de Aveiro, admite que vê a academia como um lugar privilegiado para a reflexão e quer continuar ligado a esse universo: “Para mim, a investigação, a prática artística e a pedagogia não são realidades separadas”.

 

 

 

“aquilo que hoje parece um grande obstáculo acaba mais tarde por se revelar numa etapa necessária do próprio percurso”

 

Quando questionado sobre o conselho que daria a um jovem percussionista interessado na música contemporânea e na criação interdisciplinar, responde sem hesitar: “Não ter medo da incerteza e da experimentação”.

 

Reconhece que este é um percurso raramente linear, feito de entusiasmo, mas também de dúvidas, esperas e adversidades: “O que tenho percebido é que aquilo que hoje parece um grande obstáculo acaba mais tarde por se revelar numa etapa necessária do próprio percurso”.

 

Aconselha também “a cultivar uma curiosidade genuína pelo mundo”, como “ler, observar-absorver, escutar e manter uma disponibilidade constante para aprender”. “Parece-me que a música contemporânea vive muito da capacidade de estabelecer relações inesperadas entre ideias, linguagens e experiências”, acrescenta.

 

Recorda um ensinamento que recebeu de uma das figuras mais marcantes do seu percurso, o compositor Armando Santiago, a quem carinhosamente chamava “o meu avô canadiano”: “A persistência na luta garante a vitória. Nunca fujas da batalha.”

 

 


“o nosso meio só ganha a verdadeira continuidade quando se transforma também numa forma de transmissão”

 

Em relação ao futuro, João Pedro Lourenço evita traçar planos demasiado rígidos. Há, contudo, um objetivo que se destaca: desenvolver projetos além-fronteiras. “Tenho um desejo muito forte de desenvolver trabalho fora de Portugal, por uma questão de circulação, e também pela possibilidade de entrar em contacto com outros contextos e comunidades cujas práticas me desafiem e obriguem a continuar a aprender”, explica.

 

Mas o foco está em consolidar a identidade artística que tem vindo a construir e “perceber de que forma ela pode ser útil para os outros”. Deste modo, a dimensão pedagógica ocupa um lugar cada vez mais importante, não só pela transmissão do conhecimento técnico, mas sobretudo pela partilha de “formas próprias de escuta, de curiosidade e de relação com a arte”.

 

“Se puder contribuir com a minha visão pessoal para que jovens percussionistas encontrem caminhos mais livres, mais informados e mais imaginativos para o seu próprio percurso, sentirei que uma parte importante do meu trabalho ficou completa. Afinal, o nosso meio só ganha a verdadeira continuidade quando se transforma também numa forma de transmissão”, sublinha.

 

 

 

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