Da Capo
A ópera Relicário Perpétuo, com música de Luís Tinoco e libreto de Luísa Costa Gomes, estreia no próximo dia 10 de junho, às 18h00, no Teatro Camões, em Lisboa, integrando as comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões.
Coproduzida pelo Teatro Nacional de São Carlos e pelo Comissariado para as Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões, a obra propõe uma abordagem original ao poeta português, cruzando homenagem, reflexão e humor numa tragicomédia musical que questiona a relação entre memória, património e criação contemporânea.
A ação decorre numa misteriosa corte oriental, onde um príncipe se debate com a difícil tarefa de decidir o que merece ser preservado para o futuro. Neste universo simbólico, Camões surge como personagem de uma narrativa que explora a construção da memória cultural e a permanente reinvenção do passado.
Um dos aspetos mais singulares da ópera é a sua dimensão plurilingue. Embora escrita maioritariamente em português, a obra integra referências a diferentes idiomas ligados à expansão cultural portuguesa, incluindo o papiamentu e o negrillo, uma linguagem utilizada nos chamados «vilancicos negros» dos séculos XVI e XVII.
A estreia contará com direção musical de Joana Carneiro à frente da Orquestra Sinfónica Portuguesa e encenação de Nuno Carinhas. As récitas de 10 e 11 de junho são precedidas por uma conversa com Luís Tinoco, Luísa Costa Gomes e Nuno Carinhas, moderada por Pedro Amaral, Diretor Artístico do Teatro Nacional de São Carlos.
Após a apresentação em Lisboa, Relicário Perpétuo será apresentada no Cineteatro Louletano, em Loulé, no dia 13 de junho.
Com uma duração aproximada de uma hora, a nova criação de Luís Tinoco e Luísa Costa Gomes propõe uma leitura contemporânea e imaginativa de Camões, reafirmando a atualidade de uma das figuras centrais da cultura portuguesa.