Mafalda Carvalho, vencedora PJM Flauta

“temos de dar valor ao que temos em Portugal”

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Sandra Bastos

  • Mafalda Carvalho
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Podemos dizer que Mafalda Carvalho é uma veterana do PJM. Porque foi laureada com o 3º Prémio em Flauta, nível superior (2010); 2º Prémio em Música de Câmara, nível superior com o Trio Densité (2011); 2º Prémio em Música de Câmara, nível superior, com o Trio Cadenza, dois anos seguidos, 2012 e 2013. Finalmente, em 2016, conseguiu o 1º Prémio em Flauta, nível superior.

 

 

A música portuguesa no PJM

 

“Sempre que concorri ao PJM foi com o objetivo de melhorar tanto a nível musical como pessoal. Um concurso desta dimensão envolve muitas horas de trabalho, seja a nível individual, com piano ou em grupo, no caso de Música de Câmara”, afirma Mafalda Carvalho. Considera o PJM, nível de categorias de solistas, o concurso “mais prestigiado” a nível nacional: “poder fazer parte dele foi muito importante, ou seja, poder mostrar o trabalho desenvolvido ao longo da preparação e na altura da prova, dar o tudo por tudo”.

Destaca a música portuguesa como o ponto mais forte do PJM: “Em cada categoria de solista há uma obra obrigatória encomendada a um compositor português para cada edição e no caso da música de câmara também é promovida a música portuguesa”.

 

 

“concentração e objetivos bem definidos”

 

Estudo e ensaios intensivos,  mas sobretudo “concentração e objetivos bem definidos” são fundamentais para uma boa preparação. Depois, nas provas, vem a ansiedade “difícil de gerir, mas que se vai aprendendo a controlar”.

Aguarda também com ansiedade o Concerto de Laureados:  “Tocar a solo com a Orquestra Gulbenkian será algo que nunca esquecerei, um momento marcante na minha carreira”.

Entretanto, a sua carreira terá com um novo desafio – será a 1ª Flauta da Orquestra Clássica da Madeira nesta nova temporada. Continuará também a tocar com o Ensemble Éolia (ensemble de flautas), a participar em concursos internacionais e a fazer audições de orquestra.

 

 

Um percurso apoiado incondicionalmente

 

No seu ainda curto percurso, contou com o apoio incondicional dos pais e dos amigos. Lembra a União Filarmónica do Troviscal, onde aprendeu flauta e cresceu; os professores no Conservatório de Música de Aveiro Calouste Gulbenkian, sobretudo a professora Ana Maria Ribeiro. Realça também o apoio das professoras Ana Raquel Lima, na ESMAE, e Daniela Coimbra, que a orientou no Mestrado em Interpretação Artística. E ainda na Universidade de Aveiro, o professor Jorge Salgado e a Orquestra Filarmonia das Beiras.

Como momentos marcantes destaca a tour a Abu Dhabi com a Orquestra Sinfónica da Galiza em Janeiro deste ano e quando tocou o Prélude d’aprés midi d’un faune de Debussy com a Orquestra Estágio Gulbenkian de Orquestra, sob direção da maestrina Joana Carneiro e  apoio da professora Cristina Anchel.

 

 

“uma geração de lutadores”

 

Não obstante a música ser hoje uma certeza na sua vida, Mafalda queria ser médica para poder ajudar as pessoas. Conta que “o tempo foi passando e as ideias foram mudando”. Só escolheu a Música quando estava no 12º ano, no Curso de Ciências e Tecnologias.

“Um lugar de orquestra foi sempre o que quis ter e agora é procurar sempre melhor. Mas admito que tocar a solo com orquestra dá outro prazer”, confessa. 

Define a sua geração como “uma geração de lutadores”, de grandes talentos comprovados a nível nacional e internacional: “Lutamos por aquilo que queremos alcançar, e esforçamo-nos ao máximo para concretizar os nossos objetivos”.

 

 

“temos de dar valor ao que temos em Portugal”

 

E para concretizar esses objetivos não é preciso emigrar, como prova o seu exemplo: “Eu realizei os meus estudos em Portugal, a licenciatura e o Mestrado em Interpretação Artística na ESMAE e o Mestrado em Ensino de Música na Universidade de Aveiro. Não acho que seja fundamental estudar no estrangeiro, mas admito que se possam abrir mais portas do que cá. Mas acima de tudo, acho que temos de dar valor ao que temos em Portugal”.

A valorização tem que começar nos próprios músicos, que devem contribuir para o futuro de música em Portugal, ao “desenvolver projetos fora das grandes cidades e levar a música erudita a todo o país.”

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