António Pinho Vargas é o Compositor em Residência

Hortênsia Music Festival regressa aos Açores com o tema “Erupção Musical”

1 a 10 de setembro, em Angra do Heroísmo

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  • Data e Local

    1 a 10 de setembro, em Angra do Heroísmo.

  • Organização

    Associação Cultural Hortênsia

  • MAIS INFORMAÇÕES

    https://hortensiamusicfestival.com/

A 8.ª edição do festival decorre de 1 a 10 de setembro, em Angra do Heroísmo, reunindo intérpretes de carreira internacional, formação para jovens músicos e uma forte componente de proximidade com a comunidade. António Pinho Vargas será o Compositor em Residência e apresentará a estreia absoluta do Quarteto com Piano n.º 2 (Heimat). Todos os eventos públicos têm entrada livre.

 

Dez dias de música de câmara, criação contemporânea, formação e encontro artístico voltam a ocupar Angra do Heroísmo entre 1 e 10 de setembro de 2026, na 8.ª edição do Hortênsia Music Festival. Sob o tema Erupção Musical, o festival inspira-se na natureza vulcânica dos Açores para construir uma programação atravessada pelas ideias de energia, transformação e criação.

 

Fundado em 2017 pela violinista Tamila Kharambura e pelo violetista Paul Tulloch, o HMF consolidou-se como um projeto de ligação entre os Açores e os circuitos internacionais da música de câmara. A fórmula passa por reunir, durante vários dias, intérpretes com percursos de relevo internacional, colocando-os não apenas em palco, mas também em contacto direto com estudantes, jovens músicos e diferentes públicos da região.

 

A edição deste ano apresenta um elenco particularmente internacional. A soprano australiana Siobhan Stagg, que se estreia nos Açores, junta-se aos violinistas Jack Liebeck, Maria-Elisabeth Lott e Hrachya Avanesyan, à violetista Hiyoli Togawa, ao violoncelista Kyril Zlotnikov, membro fundador do Jerusalem Quartet, e aos pianistas Matan Porat e Anna Ulaieva, entre outros convidados.

 

 

António Pinho Vargas no centro da edição

 

Um dos principais acontecimentos do festival será a presença de António Pinho Vargas como Compositor em Residência.

 

A 2 de setembro, o festival apresenta a estreia absoluta do seu Quarteto com Piano n.º 2 (Heimat), uma encomenda do próprio festival para violino, viola, violoncelo e piano. A obra prolonga uma relação artística antiga entre o compositor e os fundadores do festival: Tamila Kharambura realizou, em 2016, a estreia absoluta do Concerto para Violino de Pinho Vargas, posteriormente editado em disco pela MPMP.

 

A residência começa logo na manhã de 1 de setembro, com um lecture-recital na Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro, no qual o compositor abordará o seu processo criativo, referências e linguagem musical, acompanhado por exemplos interpretados ao vivo.

 

Na noite de abertura serão ainda ouvidos os 6 Duos para Violino e Viola, escritos em 2020 para Tamila Kharambura e Paul Tulloch.

 

 

De Bach e Kurtág a Brahms, Debussy e Weill

 

A programação principal distribui-se por cinco grandes concertos e percorre um arco musical amplo, cruzando repertório canónico, século XX e criação contemporânea.

 

A abertura, Ecos em Transformação, a 1 de setembro, na Sé Catedral de Angra do Heroísmo, coloca em diálogo uma seleção das Variações Goldberg, de Johann Sebastian Bach, e Signs, Games and Messages, de György Kurtág. A aproximação ganha especial significado em 2026, ano do centenário do nascimento do compositor húngaro. Os 6 Duos de Pinho Vargas e o Quarteto com Piano n.º 1 de Gabriel Fauré completam o programa.

 

No dia seguinte, Reflexos do Tempo terá como eixo a estreia do novo quarteto de Pinho Vargas, enquadrada por Tropar, da compositora ucraniana Hanna Havrylets, e pelo Trio com Piano em sol menor, de Bedřich Smetana.

 

A 4 de setembro, Contornos da Terra, no Palácio dos Capitães Generais, reúne Schumann, Dvořák e Brahms, culminando no Quinteto com Piano em fá menor de Brahms.

 

A voz assume particular destaque a 6 de setembro, no Teatro Angrense. Em Basalto ao Luar, Siobhan Stagg interpreta Der Hirt auf dem Felsen, de Schubert, e uma seleção dos Kafka-Fragmente, de Kurtág. O programa inclui ainda Moonlight Journey, de Paul Coletti, o Quarteto com Piano n.º 2 de Dvořák e páginas vocais de Poulenc, Puccini, Lehár e André Previn.

 

Já a 8 de setembro, Crateras Ressonantes, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, junta o segundo Quinteto para Cordas de Brahms, as Cinco Peças para Quarteto de Cordas de Erwin Schulhoff, as Ariettes oubliées de Debussy e Youkali, de Kurt Weill.

 

 

Um festival também feito fora da sala de concertos

 

A componente educativa continua a ser um dos pilares do Hortênsia Music Festival. Os músicos convidados orientam masterclasses, aulas individuais e trabalho de música de câmara, aproximando os participantes da prática profissional e dando-lhes simultaneamente oportunidades de apresentação pública.

 

O programa inclui Sons pela Cidade, que leva os jovens músicos às ruas do centro histórico de Angra, o concerto Rising Stars e a Maratona Musical. Siobhan Stagg orientará ainda, a 7 de setembro, um workshop dedicado à voz.

 

No último dia do festival realiza-se também um Concerto para Crianças, no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo, pensado para aproximar famílias e públicos mais jovens da música através da narrativa, da imaginação e da descoberta sonora.

 

A relação do festival com a comunidade passa ainda por um concerto privado destinado aos residentes da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo.

 

E a atividade não termina em setembro. Em outubro, a Rota das Ilhas leva o projeto a São Jorge, Faial, Graciosa e Pico, através de concertos para crianças e iniciativas musicais junto de instituições sociais, prolongando para lá da Terceira a dimensão descentralizadora do festival.

 

 

Música de câmara sem barreiras de acesso

 

Todos os eventos públicos do Hortênsia Music Festival têm entrada livre, uma opção que traduz uma das ideias estruturantes do projeto: aproximar intérpretes de elevado reconhecimento artístico de públicos tão diversos quanto possível e contrariar a associação da música clássica a espaços cultural ou economicamente fechados.

 

Concertos, formação e intervenção comunitária cruzam-se, assim, numa edição que procura simultaneamente olhar para fora e manter uma forte ligação ao território que lhe deu origem.

 

Organizado pela Associação Cultural Hortênsia, o festival realiza-se sob o Alto Patrocínio do Presidente da República Portuguesa e conta com o apoio institucional da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, DGARTES / República Portuguesa — Cultura, Juventude e Desporto, Fundo de Fomento Cultural, Governo dos Açores e das Embaixadas da Austrália e da Áustria em Portugal.

 

 

https://hortensiamusicfestival.com/

 

 

 

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