Música Portuguesa na Suíça e na Rússia

“um acordar para o que é Portugal”

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Sandra Bastos

A Música Portuguesa esteve em destaque na Suíça e vai estar na próxima semana na Rússia, com três concertos dedicados à produção e interpretação nacional. A interpretação é da responsabilidade da Sinfonietta Zürich, dirigida pelo seu diretor artístico, o português João Tiago Santos. Também outro português esteve em destaque – Samuel Bastos, solista no Concerto para Oboé e Orquestra de Richard Strauss.

 

Organizado pelo Consulado-Geral Português em Zurique, o concerto na Suíça aconteceu no dia 15 de Outubro de 2016, na famosa Tonhalle, em Zurique. No programa, constaram as obras L´amore Industrloso de João de Sousa Carvalho, Labyrinth de Luís Tinoco, e o Concerto para Cordas de Joly Braga Santos, além da Sinfonia nr.83 de J.Haydn e do Concerto para Oboé e Orquestra de Richard Strauss.

Na Rússia, os concertos irão realizar-se nos dias 20 e 21 de janeiro, nas cidades de Kislovodsk e Essentuki, respetivamente. Desta vez com a organização da Embaixada Portuguesa em Moscovo e do Instituto Camões, o programa vai incluir o Concerto para Cordas de Joly Braga Santos e Inês de Castro de Vianna da Mota, além abertura Hamlet de Tchaikovsky e do Concerto para Oboé de R. Strauss.

 

um acordar para o que é Portugal”

“Esta ideia faz parte de um projeto que é a promoção de Portugal e da cultura portuguesa. Como temos a sorte de ter em Zurique um maestro e vários músicos portugueses de topo , achei que podíamos avançar com qualquer coisa. Falei com o maestro João Santos e desde o início ele agarrou perfeitamente na ideia de alma e coração. Depois tive de fazer o possível para juntar os apoios, o que nem sempre é fácil”, explica Licínio Bingre do Amaral, Cônsul Português em Zurique.

Confessa que todo o esforço foi compensado: “Foi muito gratificante ver aquela sala cheia, com imensos suíços e portugueses. Alguns suíços provavelmente não sabiam quem era Joly Braga Santos, Luís Tinoco e João de Sousa Carvalho. Acho que para eles isso foi muito importante, foi um acordar para o que é Portugal. Quem sabe se ao irem a Portugal de férias ou em trabalho, tentem ir aos nossos concertos, comprar música portuguesa, verem os nossos artistas e a nossa programação cultural”.

 

temos bons compositores mas não são suficientemente divulgados”

Este concerto poderá ter sido o ponto de partida para se fazerem mais atividades semelhantes: “Temos algumas ideias para tentar incluir o nosso repertório nas programações das orquestras suíças, nós temos bons compositores mas não são suficientemente divulgados”.

O Cônsul Português quer através deste tipo de iniciativas mostrar “uma imagem positiva e diferente de um Portugal capaz e moderno”, ou seja, quer mudar a imagem de Portugal na Suíça. “Portugal é bem visto pelos suíços mas essencialmente é visto como um país emissor de mão-de-obra e um país agradável como destino turístico, toda a componente cultural é esquecida”, sublinha.

Com a mesma intenção, no final do concerto foi aberta ao público uma prova de vinhos portugueses.

 

uma oportunidade para mostrar ao público suíço que temos músicos portugueses de alto calibre”

Natural de Lisboa, João Tiago Santos estudou direção de orquestra em São Petersburgo e direção coral em Zurique, na Universidade das Artes. Na Suíça é diretor artístico da Sinfonietta Zürich e dirige dois coros, em St.Gallen e em Berna.

Confessa que é sempre um prazer dirigir repertório português: “Oiço com muito agrado os comentários entusiásticos do público à Música Portuguesa., muitos deles com algum surpresa porque não conheciam o nome dos nossos compositores. Foi uma aposta ganha”.

O facto de ser português também faz a diferença: “Sinto uma afinidade especial com estas obras e o facto de não ser uma orquestra portuguesa, mas sim uma orquestra suíça com muitos estrangeiros a tocar repertório português é especial. Não foi só o público que ouviu por primeira vez a nossa música mas também os músicos que tocaram na orquestra”.

“Foi especial também ter dirigido na Suíça um solista português de alto nível – Samuel Bastos [solista na Ópera de Zurique]. Foi também uma oportunidade para mostrar ao público suíço que temos músicos portugueses de alto calibre, como é o caso do Samuel”, afirma.

 

De Sousa Carvalho a Luís Tinoco

Para Manuel Santiago, emigrante português na Suíça, foi a primeira vez que ouviu Música Portuguesa fora de Portugal: “Tocou-me particularmente termos podido assistir, na Suíça, a trezentos anos de Música Portuguesa. Começamos com Sousa Carvalho e acabamos no século XXI com o Luís Tinoco”.

“Foi um concerto extraordinário com músicos como o Samuel Bastos, a Filipa Nunes e o maestro João Santos. Foi fantástico terem juntado esta comunidade portuguesa, foi um momento simpático e de muita qualidade”, afirma.

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