Quarteto com músico português vence Dutch Classical Talent e Prémio do Público nos Países Baixos

Dokwerk Saxophone Quartet vai investir o prémio na gravação do segundo álbum

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Da Capo

  • Dokwerk Saxophone Quartet

O Dokwerk Saxophone Quartet, formação que integra o saxofonista português Pedro Silva, conquistou no passado dia 7 de junho o Dutch Classical Talent 2025 e o respetivo Prémio do Público, na final realizada na sala TivoliVredenburg, em Utrecht. A dupla distinção assume particular relevância, uma vez que não era atribuída ao mesmo candidato há cinco anos.

 

O quarteto apresentou No Man is an Island, um projeto interdisciplinar desenvolvido no âmbito do concurso e que combina música, encenação e reflexão filosófica. O programa inclui obras de Philip Glass, Jörg Widmann, Wim Henderickx e Ramin Amin Tafreshi, tendo sido distinguido pelo júri pela sua qualidade artística, coesão e capacidade de comunicação.

 

Para os músicos, a vitória representa um importante reconhecimento do percurso desenvolvido desde a fundação do agrupamento, em 2019. “Dá-nos confiança e esperança naquilo que temos vindo a criar ao longo destes sete anos. É uma forma de reconhecimento que nos motiva a desenvolver novos projetos e descobrir novos horizontes como quarteto”, afirma Pedro Silva.

 

Criado por iniciativa do saxofonista e pedagogo Arno Bornkamp no Conservatório de Amesterdão, o Dokwerk reúne quatro músicos de diferentes origens: Lisa Schreiber (Alemanha), Jen-Hong Wu (Taiwan), Ileana Termini (Itália) e Pedro Silva (Portugal). Atualmente, todos se encontram na fase pós-estudos, depois de concluírem a licenciatura e o mestrado naquela instituição.

 

Mais do que uma competição, o Dutch Classical Talent revelou-se uma plataforma de desenvolvimento artístico. Ao longo de uma digressão de 14 concertos pelos Países Baixos, o quarteto colaborou com o compositor David Dramm, responsável por uma nova encomenda, com Ramin Amin Tafreshi, que criou um arranjo para o projeto, com a encenadora Saskia Mees Christeller e com o saxofonista Ties Mellema, mentor da edição. “Foi uma plataforma onde pudemos desenvolver de forma livre a nossa visão artística”, sublinha Pedro Silva.

 

O prémio monetário, no valor de 10 mil euros, será investido na gravação do segundo álbum do agrupamento, baseado precisamente no repertório de No Man is an Island. Entre os próximos compromissos contam-se atuações nos festivais Klaterklanken e Muziekzomer e uma digressão por Taiwan, em agosto, que incluirá concertos e masterclasses.

 

“Somos quatro emigrantes, provenientes da Alemanha, Taiwan, Itália e Portugal. Ganhar um concurso tão prestigiado num país onde vivemos há sete anos é quase uma confirmação de que estamos a contribuir para a cultura deste país e, por consequência, para a cultura dos nossos próprios países”, destaca o saxofonista português.

 

 

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