Direção artística de Carla Caramujo
Data e Local
5 a 20 de setembro, em Óbidos.
Organização
ABA – Banda de Alcobaça Associação de Artes, em parceria estratégica com a Câmara Municipal de Óbidos.
MAIS INFORMAÇÕES
https://festivaloperaobidos.pt/
PROGRAMAÇÃO
De 5 a 20 de setembro, o Festival de Ópera de Óbidos regressa para a sua edição de 2026, sob o tema «Luz e Trevas». A Cinderela, de Rossini, Caim, ou o Primeiro Homicídio, de Alessandro Scarlatti, e Orfeu e Eurídice, de Gluck, estão entre os principais títulos de uma programação que volta a cruzar grandes obras do repertório lírico com o património histórico de Óbidos.
A edição de 2026 do Festival de Ópera de Óbidos (FOO) é inspirada pelos valores do Iluminismo, do tema «Luz e Trevas», e apresenta uma programação que reúne ópera, oratória, música sinfónica e recital, distribuída por diferentes espaços de Óbidos e das Gaeiras.
O festival abre a 5 de setembro, ao ar livre e com as muralhas do Castelo como pano de fundo. A Praça da Criatividade recebe a gala «Encontro de Titãs», dedicada a Weber, Beethoven e Mozart, com a Orquestra das Beiras sob a direção de Jan Wierzba. Inês Simões, Susana Gaspar, Beatriz Patrocínio, Cátia Moreso, João Barbas e André Henriques são os solistas de um programa que inclui excertos de Fidelio, a única ópera de Ludwig van Beethoven; La clemenza di Tito, de Wolfgang Amadeus Mozart; e Der Freischütz, de Carl Maria von Weber. A presença deste último compositor ganha particular significado no ano em que se assinalam os 200 anos da sua morte.
Rossini entre o humor e o virtuosismo
Um dos principais títulos desta edição é La Cenerentola ossia Il Trionfo della Bontà (A Cinderela, ou o Triunfo da Bondade), de Gioachino Rossini. Nesta opera buffa, Rossini e o libretista Jacopo Ferretti afastam-se dos elementos mágicos associados ao conto tradicional para construir uma história assente em situações humanas, humor e numa escrita vocal de grande virtuosismo.
A encenação é de Pedro Ribeiro, que transporta a história para a contemporaneidade. A produção reúne Cláudia Ribas, João Terleira, Tiago Matos, Luís Rodrigues, Tiago Amado Gomes, Sofia Marafona e Mariana Sousa, acompanhados pela Orquestra das Beiras, sob a direção musical de Julia Jones.
Um «thriller» barroco na Igreja da Misericórdia
A programação de 2026 assinala também a estreia da oratória no Festival de Ópera de Óbidos. A Igreja da Misericórdia recebe Cain overo Il Primo Omicidio (Caim, ou o Primeiro Homicídio), de Alessandro Scarlatti, com libreto de Pietro Ottoboni.A obra parte do episódio bíblico do assassinato de Abel pelo irmão Caim para explorar a violência, a inveja, a culpa e a condição humana. Escrita há mais de três séculos, a oratória chega a Óbidos no ano em que se assinalam 300 anos sobre a morte de Alessandro Scarlatti.
A Orquestra Barroca de Mateus, dirigida por António Carrilho, acompanha os solistas Carlos Nogueira, Ana Rosa, Eduarda Melo, Helena Ressurreição, Alexandra Calado e Job Tomé.
O espetáculo é uma coprodução com a Fundação Casa de Mateus e chega a Óbidos depois da apresentação realizada em Vila Real, em julho.
Gluck encerra o festival
O último fim de semana é dedicado a uma das obras fundamentais da história da ópera: Orfeo ed Euridice (Orfeu e Eurídice), de Christoph Willibald Gluck. O mito de Orfeu, que desce ao mundo dos mortos na tentativa de recuperar Eurídice, ganha nesta produção uma dimensão que reúne canto, coro, orquestra e dança. A encenação é de Carlos Antunes e a coreografia de Teresa Simas, com oito bailarinos em palco.
O elenco é constituído por Luisa Francesconi, Ana Quintans e Joana Santos, acompanhadas pelo Coro Voces Cælestes, dirigido por Sérgio Fontão, e pela Orquestra de Câmara Portuguesa, sob a direção de Pedro Carneiro.
Os figurinos são assinados por José António Tenente. Entre os momentos mais conhecidos da ópera encontra-se Che farò senza Euridice?, a célebre ária de Orfeu que se tornou uma das páginas mais reconhecidas do repertório operático do século XVIII.
De Purcell a Britten: Shakespeare na música
Há ainda espaço para um programa dedicado à relação entre William Shakespeare e a música vocal europeia. No Museu Abílio de Mattos e Silva, Margarida Rossas e Maria Leonor Sá apresentam o recital De Purcell a Britten: mais de dois séculos de paixão shakespeariana.
O programa percorre mais de dois séculos de música inspirada pelo dramaturgo inglês, incluindo obras de compositores como Purcell, Haydn, Schubert, Wagner e Britten.
"Luz e Trevas"
Para Carla Caramujo, diretora artística do Festival, a edição de 2026 dá continuidade ao propósito de contribuir para a descentralização da atividade operática no país: "O Festival de Ópera de Óbidos tem como objectivo a descentralização e desenvolvimento da ópera em Portugal. É, portanto, com esse propósito e na continuidade da força e impacto da anterior edição que a programação de 2026 se inspira na mensagem e nos conteúdos artísticos".
Também Filipe Daniel, presidente da Câmara Municipal de Óbidos, sublinha a relação entre a programação e o património da vila, considerando o Festival "um excelente exemplo" de uma estratégia que procura levar grandes obras e intérpretes a espaços históricos e aproximar a ópera de novos públicos.
O Festival de Ópera de Óbidos 2026 decorre entre 5 e 20 de setembro. É uma iniciativa da ABA – Banda de Alcobaça Associação de Artes, em parceria estratégica com a Câmara Municipal de Óbidos, contando com o apoio da República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes, do BPI/Fundação «la Caixa» e com o mecenato da Égide – Associação Portuguesa das Artes.
Os bilhetes encontram-se à venda na Blueticket, no Convento de São Miguel das Gaeiras, na ABA – Banda de Alcobaça Associação de Artes e nos locais habituais.
Mais informações:
https://festivaloperaobidos.pt/