Da Capo
A ópera sobre o 25 de Abril apresenta-se a 7 de outubro no Coliseu Porto Ageas, numa récita única em versão de concerto. Pedro Amaral dirige a Orquestra Sinfónica Portuguesa, o Coro do Teatro Nacional de São Carlos e um elenco de oito solistas.
Vinte e oito anos depois da estreia em Lisboa, Os Dias Levantados, de António Pinho Vargas, chega pela primeira vez ao Porto. A apresentação, numa coprodução entre o Coliseu Porto Ageas e o Teatro Nacional de São Carlos, assinala também os 75 anos do compositor, pianista e investigador.
Com libreto de Manuel Gusmão (1945–2023), a ópera estreou-se no Teatro Nacional de São Carlos a 25 de abril de 1998, na sequência de uma encomenda realizada no âmbito da Expo 98. É uma das quatro óperas de Pinho Vargas e tem como centro a Revolução de Abril e os desafios da construção democrática.
A narrativa começa nos últimos dias da ditadura, entre o medo, a censura, a guerra e a esperança de mudança. A Revolução traz o encontro entre militares e população e a celebração da liberdade, mas também novas interrogações. Como refere o comunicado do Coliseu, "a liberdade abre também caminho ao confronto de ideias, às incertezas e à construção de um futuro comum".
O libreto articula acontecimentos históricos com uma dimensão simbólica, reunindo diferentes vozes poéticas numa reflexão sobre a democracia, a memória e o futuro. Pinho Vargas, que recordou o 25 de Abril como "maravilhoso e inesquecível", associou à composição da obra "a defesa da impureza e da liberdade no processo criativo".
Sob a direção musical de Pedro Amaral, a récita reúne as sopranos Eduarda Melo, Sara Braga Simões e Sílvia Sequeira, o contratenor Rui Vieira, o tenor Leonel Pinheiro e os barítonos Jorge Vaz de Carvalho, José Corvelo e Luís Rodrigues. Participam o Coro do Teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa.
Nascido em 1951, António Pinho Vargas completou o curso de Piano no Conservatório do Porto e o de Composição no Conservatório de Roterdão, segundo a biografia disponibilizada pelo Centro de Investigação e Informação da Música Portuguesa. Foi condecorado em 1995 com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, pelo então Presidente da República, Mário Soares. Entre as distinções recebidas contam-se o Prémio Universidade de Coimbra, o Prémio José Afonso e os prémios Autores e Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores.
Os bilhetes para a apresentação de 7 de outubro custam entre 25 e 30 euros e estão disponíveis na bilheteira do Coliseu, no site da sala, na Ticketline e nos locais habituais. Há descontos de 20% para crianças e estudantes, Amigos Coliseu, famílias com mais de três elementos, maiores de 65 anos e titulares do Cartão Porto.