Duarte Maia, Vencedor PJM em Clarinete

“As perspetivas para um jovem músico são difíceis. Há poucas oportunidades estáveis e o mercado é pequeno.”

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Sandra Bastos

  • Duarte Maia
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Vencedor do Prémio Jovens Músicos (PJM) 2025, em Clarinete, Duarte Maia pertence a uma nova geração de músicos portugueses que alia sólida formação nacional a um percurso internacional de excelência. Estudou na Haute École de Musique de Lausanne, na classe de Pascal Moraguès, onde concluiu a licenciatura e o mestrado. Em 2023/2024, foi academista da Berner Symphonieorchester e, desde 2024, é clarinete solista da Real Orquesta Sinfónica de Sevilla.

 

 

“não podia deixar de tentar a minha sorte”

 

A participação no PJM não foi uma estreia para Duarte Maia.  Já tinha participador três vezes e chegou a ganhar, com o seu grupo, o 2º Prémio em Música da Câmara, nível médio. “Sendo este o maior concurso a nível nacional, obviamente nenhum músico português pode ficar indiferente e eu não podia deixar de tentar a minha sorte”, confessa.

 

A preparação foi exigente, com “muitas horas de estudo”, em que destacam a organização e escolha de um repertório mais confortável. “Para além disso, tentei tocar por cima de algumas gravações online para estar o mais consciente possível da parte de piano”, acrescenta.

 

 

“senti-me muito feliz e realizado por poder ter tocado a solo com uma grande orquestra como a da Fundação Calouste Gulbenkian”

 

Entre os momentos mais marcantes da sua participação no PJM, destaca o concerto dos laureados: “Para além de bastante nervoso, senti-me muito feliz e realizado por poder ter tocado a solo com uma grande orquestra como a da Fundação Calouste Gulbenkian e por ter uma sala quase cheia a ouvir este concerto”.

 

Paralelamente, considera como emocionantes o finais de cada performance, quando ouvia os aplausos do público. Para trás, ficam os momentos de nervos: “os instantes antes a subir ao palco porque começam a surgir inseguranças e alguma ansiedade”.

 

 

Clarinete Solo na Real Orquesta Sinfónica de Sevilla

 

Com uma carreira internacional em ascensão, Duarte Maia não espera que esta distinção no PJM provoque “uma reviravolta” na sua carreira, mas acredita que poder fazer a diferença em Portugal, “para que, de alguma maneira, no futuro possa contribuir para o enriquecimento da cultura no nosso país”.

 

Atualmente, ocupa o cargo de Clarinete Solo na Real Orquesta Sinfónica de Sevilla, em Espanha. Gostava de ter um grupo de música de câmara e explorar a área do ensino e quer “continuar a fazer alguns concursos e provas de orquestra” para se manter no ativo.

 

 

“Foi aos 15 anos que tomei a decisão de que esta era a profissão que eu queria para mim”

 

Ao seu lado tem tido o apoio incondicional da sua família e a inspiração de dois professores de clarinete: “Luísa Marques e Pascal Moraguès, que me inspiram diariamente a nível musical e pessoal”.

 

O estudo da música foi natural numa família em que todos os primos do lado materno também estudavam música. Aos 7 anos, os pais inscreveram-no no Conservatório de Música da Maia e foram os próprios primos que o influenciaram a escolher clarinete, em vez do saxofone.  “Quando tinha 12 anos, fui estudar na ARTAVE e foi a partir desse momento que a música se tornou mais séria na minha vida, mas acho que foi aos 15 anos que tomei a decisão de que esta era a profissão que eu queria para mim”, conta.

 

 

“As perspetivas para um jovem músico são difíceis. Há poucas oportunidades estáveis e o mercado é pequeno.”

 

Para o jovem clarinetista, que estudou em Lausanne, na Suíça, a formação no estrangeiro surgiu como uma necessidade estrutural. Embora reconheça a qualidade do ensino musical em Portugal, considera que “um jovem em Portugal tem poucas oportunidades” para fazer ao mais alto nível.

 

Reconhece que os jovens músicos portugueses têm talento e boa formação, mas também grandes desafios: “As perspetivas para um jovem músico são difíceis. Há poucas oportunidades estáveis e o mercado é pequeno. É preciso ter muita persistência, resiliência e, muitas vezes, ter que optar por emigrar”.

 

 

“temos muito pouco financiamento que possibilite estabilidade ou criações de novos projetos”

 

Sobre o panorama da música erudita em Portugal, o clarinetista traça um retrato simultaneamente orgulhoso e crítico. Destaca a qualidade das escolas e dos músicos portugueses, frequentemente reconhecidos além-fronteiras, mas aponta fragilidades evidentes: “A questão é que temos um público cada vez mais reduzido, muito pouco financiamento que possibilite estabilidade ou criações de novos projetos e pouca visibilidade/atenção por parte dos media”.

 

 

Duarte Maia

Duarte Maia, nascido em 2001 e natural da Maia, iniciou os seus estudos musicais com 7 anos no Conservatório de Música da Maia com o professor Hélder Tavares e, mais tarde, com a professora Luísa Marques.

 

Em 2013, ingressou na Escola Profissional Artística do Vale do Ave – ARTAVE, na classe da mesma professora, onde, em 2019, foi nomeado como melhor instrumentista do seu curso.

 

Foi premiado nos concursos "Luso-Espanhol de Fafe", "Terras de la Salete" e "APC International Clarinet Competition”.

 

No âmbito de música de câmara, recebeu o 2°prémio no concurso "Prémio Jovens Músicos", nível medio.

 

Enquanto solista, tocou com a Orquestra Sinfónica ARTAVE, com a Orquestra de Sopros ARTAVE, com o Ensemble de Jazz da Haute École de Musique de Lausanne e com a Orquestra Gulbenkian.

 

Entre 2019 e 2024, estudou com o professor Pascal Moraguès na Haute École de Musique de Lausanne, na Suíça, onde conclui a licenciatura e o mestrado.

 

Em 2023/2024, foi academista na Berner Symphonieorchester, em Berna, Suíça.

 

Desde 2024, é solista de clarinete na Real Orquestra Sinfónicade Sevilha.

 

 

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