Sandra Bastos
Tinha apenas 18 anos quando deixou Portugal para seguir os estudos na Alemanha. Mais de uma década depois, Nuno Osório é co-solista da Orchestre de la Suisse Romande, professor na Haute École de Musique de Lausanne, a mesma instituição onde se formou. Entre a exigência da carreira internacional, a atividade como solista e o compromisso com a formação das novas gerações, o contrabaixista português construiu um percurso marcado pelo trabalho e pela vontade constante de crescer enquanto músico e pedagogo.
Começou a estudar música quando abriu uma escola de música na sua terra, Esmeriz, Vila Nova de Famalicão: “Sempre que via um instrumento sobretudo de teclas ou cordas, tinha a vontade de experimentar.” Antes do contrabaixo, Nuno Osório experimentou o órgão e o bandolim. A sua facilidade em fazer música despertou a atenção dos professores, que o aconselharam a investir no seu percurso musical.
Além dos pais que sempre o apoiaram, destaca os pais, pelo apoio constante, mas também os professores Sérgio Barbosa, que o motivou a tocar contrabaixo, e Rui Fontes, que lhe ensinou contrabaixo do zero: “Muito do meu percurso deve-se a ele”. Mais tarde, na licenciatura e mestrado, o professor Petru Iuga, que lhe transmitiu toda a sua sabedoria.
“Estudar na Alemanha tem um peso muito grande, pois sente-se uma seriedade e interesse na cultura”
Em 2015, mudou-se para a Alemanha para estudar na Staatliche Hochschule für Musik und Darstellende Kunst Mannheim, atraído pela possibilidade de trabalhar com Petru Iuga, uma referência internacional do instrumento. Mas foi também o contexto cultural alemão que o marcou profundamente: “Estudar na Alemanha tem um peso muito grande, pois sente-se uma seriedade e interesse na cultura, o que muda completamente a experiência”.
O facto de ter saído de Portugal apenas com 18 anos marcou profundamente o seu crescimento: “Fez-me desenvolver muitas coisas como pessoa e como músico. Lidar com as dificuldades de estar longe de casa foi também muito enriquecedor, pois faz-nos crescer e foi o que me tornou a pessoa que sou hoje.”
Crescer na Europa musical
Mais tarde, seguiu para Lausanne, na Suíça, acompanhando novamente Petru Iuga, entretanto nomeado professor na HEMU - Haute École de Musique. A mudança abriria novas oportunidades, incluindo o mestrado solista e a academia com Luzerner Sinfonieorchester. “Foi uma mudança incrível, pois descobri o país incrível que é a Suíça e abriu-me imensas portas mal cheguei”, sublinha.
Ao longo dos últimos anos, trabalhou com algumas das mais importantes orquestras europeias, como a Royal Scottish National Orchestra, a European Union Youth Orchestra e a Gustav Mahler Jugendorchester. Destas experiências destaca a elevada exigência artística e o crescimento pessoal: “Trabalhar com orquestras com nível excelente é sempre muito enriquecedor. É onde aprendemos e nos formamos realmente em orquestra. É uma oportunidade também de fazer novas amizades e de crescer musicalmente com elas. “
De tutti a co-solista da Orchestre de la Suisse Romande
Em 2025, foi nomeado co-solista da Orchestre de la Suisse Romande, após integrar a formação desde 2021 como músico de tutti. A conquista teve um significado especial, não só pela qualidade artística da orquestra, mas também por representar o reconhecimento de vários anos de trabalho: “É uma orquestra com um nível muito bom e onde adoro estar e trabalhar. Foi mais uma motivação para trabalhar todos os dias para a minha carreira em orquestra.”
A nova função trouxe também maiores responsabilidades dentro do naipe de contrabaixos: “A preparação é mais exigente, porque temos sempre a possibilidade de liderar o naipe a qualquer momento. Isso obriga a uma preparação mais aprofundada e cuidada”.
Além da orquestra: solista, premiado e compositor
A par da carreira orquestral, Nuno Osório tem-se apresentado também como solista, nomeadamente com a Kurpfälzisches Kammerorchester e a Orchestre de Chambre de Lausanne. Reconhecer que as oportunidades a solo para contrabaixo continuam a ser relativamente raras: “estas duas oportunidades que tive foram experiências maravilhosas que sempre que puder repetirei”.
O percurso inclui ainda distinções em concursos nacionais e internacionais e, em 2021, um prémio na área da composição. Embora admita que a composição esteja atualmente em segundo plano, não esconde a vontade de regressar a essa dimensão criativa no futuro.
“Sempre foi o meu maior sonho ser professor universitário e tê-lo conseguido foi realmente especial para mim”
Recentemente, foi nomeado professor na Haute École de Musique de Lausanne, a escola onde estudou: “Sempre foi o meu maior sonho ser professor universitário e tê-lo conseguido foi realmente especial para mim”.
Além do reconhecimento profissional, encara esta nova etapa como uma responsabilidade humana e artística. “É um desafio e uma responsabilidade enorme, mas sinto que nasci para ele. Estou com muita vontade de começar e de transmitir aos meus alunos aquilo que foi transmitido.”
“Nem sempre é fácil estar longe da família e do nosso país mas, no final, vale muito pena”
Atualmente, pretende continuar a expandir a sua carreira, conciliando a atividade artística com a docência. Entre os objetivos estão a realização de masterclasses, concertos de música de câmara e colaborações com diferentes orquestras, sem descurar o trabalho pedagógico na Haute École de Musique de Lausanne. “Quero focar-me nos meus alunos para que eles também possam ter um futuro sorridente”, afirma.
Aos mais novos deixa um conselho simples, mas direto: “Que não tenham medo de arriscar. Que aproveitem todas as oportunidades”. Participar em orquestras jovens, frequentar masterclasses, assistir a concertos e óperas e aproveitar todas as oportunidades que surjam pelo caminho. “Nem sempre é fácil estar longe da família e do nosso país mas, no final, vale muito pena”, reconhece.
“temos imensos exemplos de contrabaixistas portugueses com excelentes carreiras”
Não obstante o sucesso da sua carreira internacional, Nuno Osório mantém-se atento à realidade musical portuguesa e mostra-se particularmente otimista em relação às novas gerações de músicos: “O nível dos jovens portugueses é realmente algo a salientar. No contrabaixo, temos imensos exemplos de contrabaixistas portugueses com excelentes carreiras”.
Na masterclasse que deu no Festival de Música Portuscal, pôde confirmar que “o futuro dos jovens portugueses está em boas mãos. O nível está assegurado”.