Bernardo Silva apresenta Solo

“tocar simplesmente em orquestra não é suficiente”

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Sandra Bastos

  • Bernardo Silva
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O trompista da Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música começou a tocar trompa na Artave, depois seguiu para a ESML, onde se licenciou na classe de Jonathan Luxton. Estudou também na Hochschule für Musik em Hamburgo com Ab Koster e em Madrid com Radovan Vlatkovic e Javier Bonet. Leccionou em diversas academias e conservatórios e é actualmente professor na Escola Profissional de Música de Espinho e na Universidade de Aveiro. Da sua discografia destaque para os seus álbuns a solo ‘Canções Lunares’ e ‘Solo’, a primeira gravação mundial da obra ‘Jeanne d’Arc’ do compositor Alex Poelman, o projecto ‘Miguel Torga – Retratos e Paisagens’ com a Camerata Senza Misura, e ‘Trompas Lusas’.

 


São peças para trompa solo, como o próprio nome do disco indica, que Bernardo Silva tinha desde sempre no seu repertório: Laudatio de Bernhard Krol; Hornlokk de Sigurd Berge; The Dream of the Rhinoceros de Trygve Madsen ou Cor Leonis de Stephen Dodgsone são algumas das obras que seleccionou para este trabalho. “São peças que eu comecei a estudar muito cedo e que continuei a tocar, ao contrário de outras”, explica.


Mas não só. O desafio foi gravar também, quase por acaso, a primeira suite de Bach, originalmente escrita para violoncelo: “gosto muito das suites de Bach e comecei muito cedo a usá-las como estudos, exercícios. Acho que na trompa resulta muito bem. Mas tinha um certo receio em gravá-las, porque foram escritas para outro instrumento e quando isso acontece o resultado é limitado. Como na altura de gravar estava à vontade com a primeira suite, decidi gravar, naquela de vou ver como isto soa de fora”. E soou muito bem, a julgar pelos comentários positivos de quem ouviu, inclusive trompistas de referência.


Já passou um ano desde o lançamento de Solo, o disco de Bernardo Silva, editado pela Afinaudio, mas o disco nunca foi apresentado oficialmente. “Foi-se adiando, depois foi uma coisa ou outra…”, justifica.


Gravar a solo tem a vantagem de não ter de esperar pelo pianista ou por outros instrumentistas para ensaiar ou gravar, mas tem outras responsabilidades: “Tudo depende de nós, não há mais nada, mas é também muito aliciante ter essa carga em cima”.


“Eu tenho que ter desafios, outras coisas que me façam ter vontade de estudar, pois para mim tocar simplesmente em orquestra não é suficiente. Preciso de fazer mais trabalho para continuar ao mesmo nível. Além disso, acho fundamental os professores toquem, estejam no activo, acho que isso é uma mais-valia”, diz.

 

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